O desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva na sabatina realizada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, na quinta-feira, e as expectativas para o primeiro debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, marcado para domingo na Band, foram temas de análise no programa Os Três Poderes desta sexta-feira, 16. A conversa foi apresentada por Ricardo Ferraz e contou com as avaliações dos editores José Benedito da Silva e Robson Bonin.
Segundo a avaliação de Robson Bonin, a sabatina na Globo foi menos prejudicial a Lula do que uma entrevista anterior, que havia concentrado mais questionamentos sobre escândalos de corrupção. No entanto, Bonin criticou a declaração do presidente na qual afirmou ter descoberto recentemente a falta de reajuste do Bolsa Família, além de apontar a ausência de perguntas sobre uma reportagem de VEJA que mencionou o nome de Lula em uma proposta de delação de Daniel Vorcaro.
José Benedito da Silva concordou que a sabatina foi menos rígida, permitindo ao candidato maior espaço para divulgar ações governamentais, embora tenha demonstrado ceticismo quanto ao impacto eleitoral da entrevista. Já o apresentador Ricardo Ferraz observou que Lula conseguiu direcionar trechos da conversa para temas favoráveis, a exemplo do fim da escala 6×1 e anúncios de benefícios, retomando espaço para sua agenda após um período de forte pressão gerada por denúncias.
Em relação ao confronto de domingo na Band, José Benedito apontou que este será o primeiro encontro entre os adversários frente a frente nesta campanha, após uma sequência de acusações veiculadas por meio da propaganda eleitoral e de terceiros. Para o jornalista, o embate carrega um risco particular, pois um deslize pode ser fatal, e a dinâmica tende a repetir o tom agressivo dos comerciais, com cobranças sobre corrupção. “Eu acho que vai ser dedo no olho e gritaria também nesse debate”, declarou o editor.
Bonin destacou que a ausência de confrontos anteriores ao longo da campanha, com os candidatos recusando debates prévios e chegando ao encontro a menos de dez dias do segundo turno, eleva o peso da disputa. Enquanto o desempenho de Lula como debatedor já é conhecido, a atuação de Flávio ainda gera dúvidas, embora o encontro permita a cobrança direta de respostas sem a mediação de peças publicitárias.
Por fim, Ricardo Ferraz ressaltou que o debate colocará os discursos em regime de contraditório, substituindo os monólogos de acusações por explicações diretas sobre temas como segurança pública e denúncias de corrupção seguidas de questionamentos do adversário. Os editores lembraram ainda que, além da Band, está previsto outro debate na TV Globo nas vésperas da votação.
