O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência da República, possui cidadania italiana desde 2023 e conta com um passaporte do país europeu. A informação ganha relevância após o parlamentar não ser encontrado na terça-feira, 27, e não entregar seus documentos de viagem à Justiça, desrespeitando uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Aliados informam que o paradeiro do senador é desconhecido e apontam a possibilidade de que ele tenha viajado para os Estados Unidos. O documento italiano, que segundo a apuração é extensível a todos os Bolsonaros, possibilita viagens internacionais mesmo sem o passaporte brasileiro, que foi cancelado pela Polícia Federal após o descumprimento da ordem de entrega.
A determinação de Moraes foi emitida no domingo, logo após o encerramento da eleição, estipulando um prazo de 24 horas para a devolução dos documentos de viagem. Os fundamentos que embasaram a requisição policial permanecem desconhecidos. A ordem do magistrado também previa o recolhimento de passaportes de outras nacionalidades, como o italiano, e a inclusão do nome do senador no alerta migratório do sistema Sonar, o que sinalizava preocupações com uma possível tentativa de fuga do candidato derrotado.
Diante do não envio dos documentos à Justiça, os advogados de Flávio Bolsonaro foram notificados para prestar esclarecimentos, sem descartar medidas mais extremas por parte do STF.
Investigações e contexto político
Flávio Bolsonaro é alvo de investigações que apuram crimes como desvio de recursos, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, no âmbito de um inquérito sobre o financiamento da cinebiografia Dark Horse, que retrata a história de seu pai. Em outra frente relatada por Moraes, o senador e seu amigo próximo, o advogado Willer Tomaz, são investigados por supostos crimes de lavagem de capitais — investigação que motivou a ordem de apreensão dos passaportes.
A suspeita sobre uma eventual fuga do país ganhou força após declarações do irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo após articular sanções dos Estados Unidos contra o Brasil em decorrência da condenação do ex-presidente. Em um podcast gravado na semana passada nos Estados Unidos, onde vive no Texas, Eduardo sugeriu que as urnas brasileiras poderiam ter sido fraudadas e defendeu que o irmão deixasse o país caso perdesse o pleito.
Um dia após a derrota no segundo turno, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais negando planos de fuga e afirmando que entregaria seus passaportes à Polícia Federal, o que não se concretizou. Em meio aos rumores, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) manifestou-se nas redes sociais nesta terça-feira questionando a segurança jurídica no país.
