O Comitê de Supervisão da Meta apontou, nesta terça-feira (20), a existência de falhas recorrentes no controle de conteúdo eleitoral nas plataformas administradas pela empresa. O colegiado também criticou o tratamento direcionado às contas de anúncios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Em nota oficial, os copresidentes do Comitê classificaram o episódio envolvendo o presidente brasileiro como uma aplicação excessiva das políticas da companhia contra fraudes, afirmando que o caso representou uma falha que deveria ter sido tratada por uma equipe interna de revisores especializados. De acordo com o colegiado, as restrições técnicas impostas às contas geraram acusações de interferência eleitoral.
O comunicado aponta deficiências na aplicação das diretrizes da Meta em períodos eleitorais e menciona ocorrências além do pleito brasileiro. O texto cita a exclusão de perfis de ativistas políticos durante manifestações nos Estados Unidos antes das eleições de meio de mandato, questionando falhas em sistemas de prevenção e a ausência dessas contas no programa de verificação cruzada da empresa.
Segundo o colegiado, os problemas de moderação em momentos de maior tensão política manifestam-se de duas maneiras: pela aplicação excessiva das normas, que suprime a expressão política, e pela aplicação insuficiente, que prejudica a integridade eleitoral. O órgão defende que ferramentas automatizadas levem em conta o idioma, as nuances e o contexto político para resguardar manifestações que não promovam a violência.
O Comitê cobrou ainda a criação de indicadores públicos que permitam mensurar a efetividade das medidas aplicadas pela Meta durante as eleições. Conforme os copresidentes, a empresa publica dados genéricos, a exemplo do volume de anúncios armazenados ou de perfis deletados, mas ainda carece de métricas públicas capazes de evidenciar a eficácia e as lacunas na aplicação das regras, retomando uma recomendação anterior após falhas nas eleições presidenciais brasileiras de outubro de 2022.
No mesmo dia da divulgação do posicionamento do Comitê, a Meta enviou um comunicado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no qual nega favorecimento a candidatos nas eleições brasileiras. A companhia afirmou que Facebook, Instagram e WhatsApp aplicam idênticas regras de distribuição de conteúdo a todos os concorrentes e implementaram medidas para coibir abusos.
Financiado por meio de um fundo independente e criado por iniciativa da Meta, o Comitê de Supervisão reúne especialistas internacionais com autonomia para revisar decisões de moderação de conteúdo, emitindo deliberações vinculantes e recomendações de mudanças nas políticas da empresa.
