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Como o clima extremo impacta o bolso e a renda das famílias no mundo

Estudos apontam que o aquecimento global e eventos extremos elevam despesas familiares, encarecem seguros e reduzem a produtividade e os salários globalmente.

Redação•21 de set. de 2026, 18:07
Como o clima extremo impacta o bolso e a renda das famílias no mundo
Imagem: site

Como o clima extremo impacta o bolso e a renda das famílias no mundo

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Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados no planeta, impulsionando eventos extremos como ondas de calor e incêndios florestais. Além dos impactos ambientais, o aquecimento global tem gerado preços mais altos e salários menores para as famílias em todo o mundo.

Um estudo de 2026 da MIT Sloan School of Management e da UCLA School of Law apontou que as mudanças climáticas já elevaram as despesas médias das famílias americanas em 900 dólares anuais — cerca de R$ 4,6 mil —, superando 1,3 mil dólares em um de cada dez condados dos Estados Unidos. Esses custos englobam o encarecimento dos seguros residenciais, que subiram 600 dólares em média, e o aumento de impostos estaduais e federais decorrentes da recuperação de desastres e dos reflexos da fumaça de incêndios florestais na saúde.

Impactos na economia global e na renda

Relatório de 2024 do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impactos Climáticos, na Alemanha, estimou que os danos na agricultura, infraestrutura, saúde e as perdas de produtividade podem custar à economia mundial 38 trilhões de dólares por ano até 2050. Derek Lemoine, professor de economia da Universidade do Arizona, estimou uma redução de 12% na renda dos americanos em razão do aumento das temperaturas globais. Segundo o pesquisador, extremos de temperatura em um único local provocam efeitos econômicos em cadeia em regiões distantes, devido às conexões nas cadeias de suprimentos.

Na Alemanha, o Instituto Kiel para a Economia Mundial apontou em julho que os níveis recordes de baixa do rio Reno — via navegável mais movimentada da Europa — podem reduzir em até 0,2% a produção econômica alemã no terceiro trimestre de 2026. A seca prolongada reduziu a capacidade de transporte para apenas 15% em alguns trechos do rio que liga Roterdã à Alemanha.

Efeitos prolongados e desigualdade

Na Austrália, um relatório coordenado por Timothy Neal, do Instituto para Risco e Resposta Climática da Universidade de New South Wales, revelou que o aquecimento global reduziu a produção econômica do estado de New South Wales (NSW) em cerca de 18% em média, o equivalente a 21.288 dólares australianos por pessoa em 2024. O estudo destacou que secas na década de 2010 reduziram a produtividade local em até 10 bilhões de dólares australianos. Conforme o levantamento, tais impactos agravam pressões econômicas preexistentes e ampliam a desigualdade de renda e riqueza.

As ondas de calor europeias de 2026 já totalizaram custos de cerca de 180 bilhões de euros, montante equivalente a todo o crescimento econômico projetado para a União Europeia no ano. Frank Jotzo, economista da Comissão Net Zero de NSW, apontou que o estresse térmico afeta o sono e o esgotamento de trabalhadores, reduzindo a produtividade.

Para mitigar esses efeitos, especialistas defendem investimentos em adaptação climática e infraestrutura defensiva, embora alertem que tais medidas exigem recursos elevados e devem vir acompanhadas de uma redução acelerada nas emissões para evitar um peso permanente sobre os salários e a produtividade global.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/09/20/como-o-clima-extremo-afeta-o-bolso-das-familias-no-mundo-todo.ghtml

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