Crescimento da retórica anti-islâmica
O vice-presidente dos Estados Unidos, o republicano JD Vance, classificou o democrata Abdul El-Sayed, candidato ao Senado por Michigan, como “muito, muito maléfico” durante um comício em setembro. Vance associou o candidato ao terrorismo após comentários feitos por El-Sayed sobre um ataque a uma sinagoga em Detroit. No Texas, o governador Greg Abbott mirou um projeto imobiliário liderado por muçulmanos, sugerindo, sem provas, a criação de “tribunais da sharia”, alegação refutada pelos incorporadores.
A estratégia republicana nas eleições
No Alabama, o senador Tommy Tuberville, que concorre ao governo estadual, utilizou o termo “inimigo dentro dos portões” ao referir-se ao islamismo radical. Especialistas, como o professor Aaron Hughes da Universidade de Rochester, apontam que essa retórica faz parte de uma estratégia de “alarmismo” para evitar discussões sobre temas complexos como custo de vida, imigração e a política externa dos EUA no Oriente Médio, especialmente em meio ao conflito envolvendo Israel e Irã.
Cenário político e minorias
Atualmente, os muçulmanos somam cerca de 1,6% da população americana (5,5 milhões de pessoas). Apesar do crescimento da representatividade, com figuras como Zohran Mamdani, prefeito de Nova York, e Ghazala Hashmi, vice-governadora da Virgínia, o clima eleitoral tem sido hostil. Membros do Partido Republicano, como os deputados Keith Self, Chip Roy e Randy Fine, intensificaram legislações e discursos contra a suposta aplicação da sharia no país.
Defesa e críticas
El-Sayed, que pediu desculpas por declarações anteriores mal interpretadas, rebateu os ataques de Vance afirmando que o verdadeiro “mal” reside em políticas que retiram o acesso à saúde ou promovem guerras comerciais. Enquanto republicanos sustentam que levantam preocupações legítimas de segurança, vozes como a de Ashik Siddique, copresidente dos Socialistas Democráticos da América, lembram que a islamofobia também encontrou eco em setores da liderança democrata no passado, como na retórica de Andrew Cuomo durante a eleição em Nova York.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/republicanos-eua-muculmanos-politicos/
