A intenção de compra da Meteoric Resources pela Lynas Rare Earths gerou uma valorização significativa nas ações de outras empresas que desenvolvem projetos de terras raras na mesma região de Minas Gerais. O movimento ocorreu após o anúncio da aquisição da Meteoric por cerca de A$ 968 milhões.
Durante o pregão da última quinta-feira (1º), os papéis da Viridis Mining and Minerals registraram alta de 14,7% na Bolsa da Austrália, encerrando cotados a A$ 3,83. A empresa é proprietária do projeto Colossus, situado em Poços de Caldas. No mesmo sentido, as ações da Power Minerals avançaram 8,3%, atingindo A$ 013, impulsionadas pelo desenvolvimento do projeto Morro do Ferro, localizado no Complexo Alcalino de Poços de Caldas. As ações da própria Meteoric dispararam 47,1% na mesma sessão.
Os três empreendimentos estão concentrados em uma província mineral no Sul mineiro. Enquanto o projeto Caldeira, da Meteoric, e o Colossus, da Viridis, exploram grandes depósitos de terras raras associados a argilas na região de Caldas, o Morro do Ferro, da Power, situa-se no mesmo complexo geológico e faz divisa na porção oeste com o South Complex da Viridis. Ao adquirir o Morro do Ferro, a Power destacou que o ativo estava estrategicamente posicionado ao lado dos projetos da Meteoric e da Viridis.
Impacto na avaliação de mercado
A transação da Meteoric passou a servir como nova referência para a avaliação de ativos vizinhos. O banco de investimento Canaccord Genuity apontou que a operação deve exercer um impacto relevante na avaliação da Viridis, destacando que os projetos Caldeira e Colossus apresentam mineralizações semelhantes em argilas iônicas e estão em estágios próximos de desenvolvimento.
Com base no valor pago pela Meteoric e comparando a produção anual projetada de terras raras magnéticas, o Canaccord calculou um valor implícito de A$ 5,61 por ação para a Viridis, patamar cerca de 46% superior ao registrado no fechamento de quinta-feira. A instituição financeira avaliou que grupos com capacidade de separação podem enxergar o Colossus como um dos raros projetos ocidentais avançados de terras raras pesadas com potencial para fornecer matéria-prima no curto prazo, mencionando que uma eventual aquisição da Viridis também figura como possibilidade, além de acordos de offtake.
Detalhes da transação e regulação
A Lynas firmou acordo para adquirir a totalidade da Meteoric por meio de uma operação paga integralmente em ações, valor estimada em R$ 3,5 bilhões. A transação confere à companhia o controle do projeto Caldeira, apontado como o maior recurso conhecido de terras raras em argilas iônicas fora da China. O empreendimento conta com recursos minerais estimados em 1,63 bilhão de toneladas, contendo terras raras leves e pesadas, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, que são aplicados na fabricação de ímãs permanentes de alta performance.
Para ser efetivada, a compra ainda depende de aprovações regulatórias no Brasil e na Austrália. No território brasileiro, a alteração de controle da Meteoric passará pela avaliação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, órgão instituído pela Lei nº 15.506. O conselho detém a prerrogativa de aprovar a operação mediante a imposição de condições à Lynas, abrindo margem para que o governo exija compromissos futuros de agregação de valor no país, incluindo a possível construção de uma planta de separação de terras raras. Como o projeto Caldeira ainda não se encontra em fase produtiva, tais exigências industriais poderiam ser atendidas ao longo do desenvolvimento da mina.
