Conflitos marcaram a tarde desta quinta-feira nas imediações do Congresso em Buenos Aires, durante a realização da quinta Marcha Federal Universitária. De acordo com informações dos canais argentinos TN e Infobae, os incidentes iniciaram pouco antes das 16h, quando manifestantes associados a grupos de esquerda quebraram pedaços da calçada, atiraram pedras contra as grades e tentaram derrubá-las, além de arremessarem objetos contra os policiais presentes no local.
Para conter o grupo, a Gendarmeria utilizou um caminhão hidrante, enquanto a polícia empregou gás com o objetivo de dispersar os envolvidos. O confronto concentrou-se em um trecho da avenida Rivadavia, localizado entre as ruas Callao e Rodríguez Peña. O episódio gerou contraste com o restante da mobilização ao redor do palco, que permaneceu pacífica e chegou a entoar o hino nacional da Argentina, segundo relatos do Infobae. Um participante ouvido pelo TN alegou que a força policial reprimiu manifestantes que protestavam pacificamente.
A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, manifestou repúdio aos episódios de violência e declarou que o direito de protestar não concede autorização para a prática de atos violentos. Na mesma linha, o governo advertiu que aqueles que causarem danos ao patrimônio público ou agredirem agentes da lei enfrentarão medidas judiciais.
Motivações da mobilização universitária
A marcha reuniu estudantes, docentes, servidores e dirigentes acadêmicos na quinta edição da Marcha Federal Universitária. O foco principal do protesto é a exigência do cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, norma que estabelece a reestruturação de salários, o repasse de verbas de funcionamento para as instituições públicas de ensino superior e o reajuste de bolsas estudantis. A manifestação contou com o respaldo de organizações sociais, políticas e sindicais.
O Congresso argentino aprovou a referida lei e derrubou o veto presidencial, porém a gestão do presidente Javier Milei suspendeu a efetivação da norma por meio de decreto, sob a justificativa de ausência de indicação das fontes de recursos. No dia 6 de outubro, um magistrado classificou tal exigência como inconstitucional e determinou o cumprimento da medida. No entanto, uma corte de apelação suspendeu de forma provisória, nesta quinta-feira, as multas diárias aplicadas ao chefe de Gabinete, Diego Santilli, enquanto avalia o recurso apresentado pelo governo. A decisão não examinou o mérito da questão e tampouco anulou a legislação.
O embate financeiro também envolve a proposta orçamentária para 2027. Enquanto a estimativa enviada pelo governo estipula cerca de 7,3 trilhões de pesos voltados ao setor universitário, o Conselho Interuniversitário Nacional — entidade que representa os reitores — calcula que as universidades demandam um montante superior a 11 trilhões de pesos.
Paralelamente aos atos nas ruas, a oposição tentou realizar uma sessão na Câmara dos Deputados com o intuito de revogar o decreto 70/2023, responsável pela desregulamentação de variados setores da economia, mas a tentativa foi frustrada pela falta de quórum.
