O programa O Grande Debate, exibido na última quarta-feira (14), pautou a discussão sobre a conveniência de o Congresso Nacional ter votado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 e diminui a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem cortes salariais, antes do encerramento do processo eleitoral. O texto passou pelo Senado Federal em dois turnos e caminha para a promulgação.
A advogada Soraia Mendes avalizou a votação e definiu o episódio como um marco histórico. Em sua avaliação, o avanço consolida a expansão de prerrogativas para a classe trabalhadora. A especialista apontou que a defesa da jornada de 40 horas semanais é historicamente defendida por nomes associados ao movimento sindical, citando o senador Paulo Paim — que optou por não concorrer à reeleição — e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontados por ela como idealizadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Apesar de ponderações de parlamentares sobre a ausência de votos do governo na sessão, Soraia argumentou que a trajetória política do país conecta essas lideranças diretamente à pauta. Para ela, o calendário da votação foi adequado.
Em direção oposta, o comentarista Magno Karl sustentou que a deliberação deveria ter ficada para depois das eleições presidenciais de 2026. De acordo com o analista, o ambiente político eleitoral prejudica o nível técnico das deliberações. Ele afirmou que o clima eleitoral induz parlamentares a mensurarem votos nas urnas em detrimento de análises aprofundadas sobre outras alternativas.
Karl também mencionou que a matéria poderia ter recebido melhorias com um debate mais longo. O comentarista resgatou que, há dois anos, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, apontava as dificuldades do assunto ao indicar que diferentes setores econômicos exigem avaliações particulares. Conforme Karl, mais da metade da mão de obra brasileira encontra-se na informalidade atualmente, cenário distinto de quando a jornada foi reduzida de 48 para 44 horas sem impactos severos ao emprego.
