O Conselho de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes nas ações da empresa para assegurar a integridade eleitoral. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (20), o órgão independente afirmou que a plataforma precisa adotar regras de moderação de conteúdo mais transparentes e consistentes durante os períodos de eleições.
O comitê mencionou restrições técnicas que afetaram contas do candidato à reeleição à Presidência no Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de seus apoiadores, além de citar a remoção de perfis de ativistas políticos em protestos nos Estados Unidos antes das eleições de meio de mandato. Segundo o colegiado, os problemas ocorrem devido a uma aplicação excessivamente rigorosa das normas, que acaba reprimindo manifestações políticas, ou insuficiente, comprometendo a integridade do processo.
O órgão cobrou a criação de critérios mensuráveis e métricas públicas para avaliar a eficácia dos mecanismos de moderação da companhia e a identificação de lacunas. Na mesma data, a Meta respondeu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as medidas tomadas para garantir igualdade na distribuição de conteúdos e anúncios eleitorais no segundo turno. A empresa informou à Corte que cumpriu as determinações judiciais, negou negligência ou resistência e apresentou uma declaração técnica atestando o tratamento igualitário e não discriminatório das candidaturas, embora tenha reconhecido a possibilidade de erros operacionais.
A manifestação da empresa ocorreu após o ministro Marco Aurélio Bellizze determinar, na segunda-feira (19), a apresentação de detalhes sobre as ações adotadas para assegurar a igualdade entre as campanhas. A controvérsia ganhou força após denúncias das campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro. Em 15 de outubro, o TSE determinou que a Meta suspendesse interferências na distribuição de conteúdos político-eleitorais de ambos os candidatos, atendendo a um pedido da equipe de Lula que apontava falhas na distribuição e diferenças no alcance e em ferramentas de inteligência artificial.
O Conselho de Supervisão ressaltou que a remoção indevida de manifestações políticas antes do pleito pode causar um efeito inibidor irreversível sobre a participação popular e defenderam que sistemas automatizados considerem nuances, idiomas e o contexto político. O órgão lembrou que a Meta havia se comprometido em 2025 a errar menos e permitir mais debates políticos, mas destacou que ainda há muito trabalho a ser feito.
