O Reino Unido informou nesta quinta-feira (8) que sua representação diplomática em Jerusalém, com quase dois séculos de trajetória, continuará em atividade com capacidade reduzida e adotará a denominação de “Missão do Reino Unido” na localidade. A alteração ocorre após uma determinação de Israel para o encerramento das atividades do consulado, em meio a um impasse gerado por sanções impostas pelos britânicos a assentamentos israelenses.
O ultimato de 30 dias estipulado por Israel para o fechamento da representação encerrou-se nesta quinta-feira, mas os governos de ambos os países firmaram um acordo para preservar o funcionamento do local. A controvérsia teve início quando o Reino Unido determinou sanções que incluem a proibição de importar mercadorias produzidas em assentamentos israelenses localizados na Cisjordânia. Em 8 de setembro, Israel ordenou o fechamento da representação diplomática em Jerusalém Oriental e a retirada dos diplomatas em até 30 dias.
Histórico e atuação da representação
Situada no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, a representação gerencia as relações britânicas com os palestinos na cidade, além de atuar na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza, prestando também serviços consulares aos palestinos. De acordo com a Biblioteca Nacional de Israel, a presença britânica na região data de aproximadamente 1839, período em que o território integrava o Império Otomano, décadas antes da fundação de Israel em 1948.
A região de Jerusalém Oriental é classificada como território ocupado conforme o direito internacional. Enquanto a embaixada britânica e a maioria das representações estrangeiras situam-se em Tel Aviv — cidade que também abriga órgãos governamentais israelenses —, o gabinete do primeiro-ministro, a Presidência e o Parlamento de Israel funcionam em Jerusalém.
O complexo status de Jerusalém
A cidade possui um histórico de disputas prolongadas. Esteve sob administração britânica no período do Mandato da Palestina, encerrado perto da criação de Israel em 1948. Uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) estipulava que a cidade ficasse sob gestão internacional em razão de sua relevância para o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Após a fundação de Israel e o conflito árabe-israelense de 1948, Jerusalém Ocidental ficou sob controle israelense, enquanto Jerusalém Oriental — incluindo os principais locais sagrados — passou para o controle jordaniano. Posteriormente, Israel tomou Jerusalém Oriental durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexou o território em 1980, assumindo o controle total da cidade.
Israel considera Jerusalém sua capital, contudo, grande parte dos países não acata tal reivindicação, tratando Jerusalém Oriental como território sob ocupação israelense. Por sua vez, os palestinos pleiteiam a região como a capital de um futuro Estado, sem que décadas de negociações tenham definido o status definitivo da cidade.
Outras representações e o papel de potências
Além do Reino Unido, a Turquia e diversas nações ocidentais — entre as quais França, Bélgica, Grécia, Itália, Espanha e Suécia — mantêm representações consulares em Jerusalém. Até o momento, Israel não determinou o fechamento dessas unidades. A França integrou-se ao Reino Unido no anúncio de medidas restritivas contra assentamentos, enquanto o Canadá adotou providências similares, embora não possua consulado em Jerusalém, e Israel não aplicou sanções contra a representação francesa em Paris.
No caso dos Estados Unidos, a embaixada em Tel Aviv foi transferida e integrada ao consulado em Jerusalém durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, em 2018. A mudança atendeu a uma lei aprovada pelo Congresso americano que previa a transferência até 1999, medida que havia sido sucessivamente adiada por presidentes anteriores devido a considerações de segurança nacional e para evitar prejuízos a perspectivas de acordos de paz na região.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-consulado-britanico-jerusalem-oriental-missao/
