Cotado para assumir o Ministério da Fazenda em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro, Marcelo Kayath manifestou oposição à consolidação de um superministro na pasta. Em entrevista recente à emissora CNN, o ex-diretor do banco de investimentos Credit Suisse declarou ser contrário ao conceito conhecido como “Posto Ipiranga”.
A expressão foi criada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, durante a campanha eleitoral de 2018. Na ocasião, ao reconhecer limitações no entendimento de pautas econômicas, o ex-capitão do Exército designou Paulo Guedes como seu “Posto Ipiranga”, fazendo referência a um comercial de combustíveis em que o anunciante garante encontrar tudo o que precisa em um único lugar. Guedes, cofundador do Pactual — o primeiro banco de investimentos do Brasil —, assumiu o Ministério da Economia após a unificação de pastas como Fazenda e Planejamento, consolidando-se como figura central no governo de Jair Bolsonaro.
Entretanto, Kayath discorda do modelo centralizador. De acordo com o financista, o formato do “Posto Ipiranga” parte da premissa de que existe um indivíduo extraordinário e superior aos demais que ditará isoladamente os caminhos econômicos do país. Participante da elaboração do programa econômico de Flávio Bolsonaro, ele defende que o modelo ideal exige que o titular da Fazenda constitua uma equipe consistente, apta a formular respostas para os principais desafios nacionais, atuando na função de coordenador com foco em metas, cobrança de resultados e mensuração de impactos de políticas públicas.
Outro atributo apontado como essencial para o ocupante do cargo é a habilidade de comunicação. Segundo Kayath, o gestor não deve limitar-se ao jargão técnico da área e precisa conseguir traduzir as medidas propostas para a compreensão da sociedade. Essa competência comunicativa sustentaria também a vertente política inerente à posição, exigindo traços de articulação para negociar a aprovação de iniciativas junto ao Congresso e a diferentes setores sociais.
Apesar de pontuar os critérios desejados para a função econômica máxima, Kayath assegura que jamais tratou de ocupação de cargos com Flávio Bolsonaro. Segundo o entrevistado, o assunto nunca foi debatido e o momento não é adequado para discussões sobre posições governamentais, sendo primordial aguardar a definição do processo eleitoral para compreender o cenário futuro. Conforme sua avaliação, o presidente eleito deverá explicitar suas diretrizes econômicas para que o profissional avalie o alinhamento com a proposta.
