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Crédito caro nos EUA pressiona demanda e oferta, diz especialista

O encarecimento dos juros longos nos EUA pressiona ativos, hipotecas, crédito corporativo e setores da bolsa, gerando reflexos globais, afirma especialista.

Redação•04 de out. de 2026, 07:30
Crédito caro nos EUA pressiona demanda e oferta, diz especialista
Imagem: site

Crédito caro nos EUA pressiona demanda e oferta, diz especialista

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O encarecimento dos juros longos nos Estados Unidos está pressionando ativos e setores específicos da economia norte-americana, com reflexos que se estendem de forma global. De acordo com Juliana Benvenuto, da Avenue, o cenário atual decorre de uma combinação de fatores, incluindo uma economia forte e resiliente, conforme apontado pelos dados mais recentes.

A especialista também destacou que a guerra no exterior continua a pressionar os preços do petróleo, que voltaram a superar os US$ 100 por barril. Esse movimento eleva as expectativas de inflação e força bancos centrais globalmente a manterem as taxas de juros elevadas.

Setor imobiliário e habitação

O mercado imobiliário destaca-se entre os mais sensíveis ao atual ambiente de juros altos. As taxas de hipoteca nos Estados Unidos ultrapassaram 7% ao ano, patamar não visto há mais de um ano.

Segundo Benvenuto, o cenário já resulta em uma redução no volume de compras e em um aumento no tempo em que os estoques permanecem disponíveis, atingindo 4,9 meses — o nível mais alto em mais de um ano. A situação afeta tanto a demanda, devido ao acesso restrito ao crédito, quanto a oferta, encarecendo o financiamento para novas construções.

Impacto em setores e no mercado acionário

Outros segmentos também sofrem os impactos diretos da alta dos juros:

  • Utilities: o setor sofre impactos diretos devido ao alto endividamento.
  • Small caps: empresas mais alavancadas e com dívidas atreladas a taxas flutuantes sentem o mesmo movimento.
  • Renda fixa: os spreads de high yield subiram nos últimos pregões, passando de cerca de 2,60% para mais de 3% em relação aos títulos do governo americano, refletindo estresse nas empresas do segmento.

Sobre a bolsa americana, a especialista ponderou que o índice S&P 500 permanece próximo de suas máximas históricas, mas o desempenho é sustentado majoritariamente por empresas de tecnologia. Pelo índice de peso igual, que equipara o peso das 500 empresas, o mercado não está próximo das máximas, enquanto corporações de outros setores apresentam desempenho inferior, embora sem destaque no noticiário diário.

Mercado de trabalho e dilema do Fed

Em relação ao mercado de trabalho, a análise aponta que os efeitos mais rígidos do aperto monetário ainda não foram integralmente absorvidos. O cenário é descrito como low hire, low fire, caracterizado por poucas contratações e poucas demissões.

Contudo, caso os juros permaneçam altos por um período prolongado, as empresas poderão ser forçadas a cortar investimentos e a reduzir quadros de funcionários para conter custos.

Benvenuto mencionou ainda que o dado do ISM Industrial divulgado no dia da entrevista ficou abaixo das expectativas e evidenciou pressões de preços na indústria. Para ela, o resultado coloca o Federal Reserve (Fed) em um dilema entre a persistência da inflação e os sinais de possível desaceleração econômica.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/credito-caro-nos-eua-pressiona-demanda-e-oferta-diz-especialista/

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