O que é crédito digital?
Uma nova modalidade de investimento está ganhando espaço no mercado brasileiro: o crédito digital. Diferente dos fundos tradicionais de criptoativos, como bitcoin ou ethereum, essa opção permite aplicar em títulos emitidos por empresas estrangeiras que mantêm esses ativos digitais como garantia para captação de recursos. O modelo, conhecido como pristine collateral, tem origem nos Estados Unidos e foi popularizado pela empresa Strategy (antiga MicroStrategy), que durante a pandemia destinou parte de seu caixa à compra de bitcoin e passou a captar recursos por meio de ações preferenciais perpétuas.
Como funciona o crédito digital?
O investidor adquire um papel com promessa de pagamento de dividendos, enquanto a companhia utiliza o dinheiro para sustentar sua estratégia de tesouraria digital. Essas ações preferenciais não têm prazo fixo para vencimento ou resgate, mas as cotas do fundo têm regras próprias de resgate — no caso do B2V Preferencial, por exemplo, o prazo é de D+1. A tese por trás desses fundos é reunir papéis de diferentes empresas estrangeiras que mantêm criptomoedas em tesouraria, diluindo a concentração em um único emissor ou ativo digital.
Segundo Axel Blikstad, sócio fundador da B2V Crypto, gestora especializada em criptoativos, o crédito digital é um produto de nicho ainda em fase embrionária, mas que chega ao Brasil com o apelo de oferecer rendimento recorrente com exposição indireta ao universo cripto.
Vantagens e riscos do crédito digital
Entre as vantagens, destacam-se a possibilidade de descolar do risco corporativo brasileiro, a liquidez (resgate em até um dia) e a tributação favorável (15% de Imposto de Renda apenas sobre o lucro apurado no resgate, sem come-cotas). No entanto, o lastro em bitcoin não elimina os riscos: quedas acentuadas dos criptoativos podem reduzir a garantia das empresas emissoras, dividendos podem ser alterados, e ações preferenciais não contam com garantia do FGC. Além disso, há riscos de liquidez, câmbio, concentração em poucos emissores e regulatório.
Para o investidor, trata-se de uma nova classe de risco que precisa ser avaliada com cuidado. É fundamental ler o regulamento, entender os riscos do produto e, principalmente, consultar um especialista antes de investir.
Fonte: https://veja.abril.com.br/coluna/neuza-sanches/o-credito-que-vem-do-digital/
