O próximo presidente da República precisará lidar com uma agenda central de demandas para o agronegócio que abrange crédito previsível, seguro rural eficiente contra eventos climáticos, infraestrutura para baratear a produção e o escoamento, além de segurança jurídica e abertura de mercados. O principal desafio apontado é definir como financiar o crescimento do setor e mitigar os riscos que aumentaram nos últimos anos.
Prioridades das entidades setoriais
As demandas apresentadas por entidades do agronegócio convergem nesses tópicos. A Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) definiu como prioridades para o próximo governo um marco plurianual para crédito e seguro rural, infraestrutura física e digital, oferta de insumos estratégicos, segurança jurídica, inovação e maior protagonismo internacional.
De forma semelhante, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defende a criação de um Plano Agrícola e Pecuário plurianual, o aumento de recursos para o seguro rural, a implementação de mecanismos de garantia e a ampliação do financiamento privado.
Crédito e financiamento
O crédito figura entre os temas mais sensíveis. Embora o agronegócio tenha ampliado a dependência de instrumentos privados — a exemplo de CRAs e Fiagros —, o encarecimento do dinheiro e a elevação da percepção de risco dificultam o financiamento da produção e novos investimentos. A discussão para o próximo mandato deve ir além do aumento nominal do Plano Safra, focando na combinação entre recursos públicos, mercado de capitais, garantias e seguros.
Seguro rural e infraestrutura
O seguro rural ganhou relevância após sucessivos episódios climáticos. O setor busca transformar a ferramenta em uma política previsível capaz de diminuir a necessidade de renegociações de dívidas decorrentes de quebras de safra. Nesse sentido, a CNA propõe a alocação de R$ 4 bilhões para a subvenção ao prêmio do seguro rural e a modernização do marco legal da atividade.
No tocante à infraestrutura, os gargalos se estendem desde o interior das propriedades até os portos. Armazenagem, irrigação, malha rodoviária, ferrovias, hidrovias e conectividade impactam diretamente os custos do agro. Embora o Plano Safra 2026/27 contemple linhas voltadas à armazenagem e irrigação, o problema é estrutural e demanda investimentos superiores ao crédito rural tradicional.
Insumos e comércio exterior
A dependência brasileira de fertilizantes importados expõe o setor a riscos externos. Os programas apresentados pelos candidatos abordam, com diferentes abordagens, a urgência de ampliar a produção interna e diversificar fontes de importação.
No comércio exterior, o próximo governo enfrentará um cenário fragmentado por tarifas, barreiras sanitárias e disputas geopolíticas. O desafio consiste em preservar mercados consolidados, diversificar parceiros comerciais e agregar valor às exportações.
Propostas dos candidatos à Presidência
Em agosto, levantamento da CNN Brasil evidenciou que os cinco candidatos melhor posicionados no Índice CNN — Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos — reconhecem a relevância econômica e estratégica do agro, mas propõem soluções distintas:
- Luiz Inácio Lula da Silva: propõe reformular o Plano Safra em um modelo plurianual, ampliar o seguro rural, investir em tecnologia, conectividade, irrigação e fertilizantes, além da busca contínua por novos mercados.
- Flávio Bolsonaro: concentra suas propostas em previsibilidade, seguro rural, corte de custos de transporte, irrigação, armazenagem, valorização da Embrapa e conectividade.
- Ronaldo Caiado: defende maior participação do mercado de capitais no financiamento por meio de CRA, Fiagro e debêntures, associada a um Plano Safra plurianual e investimentos em seguro e infraestrutura.
- Romeu Zema: aposta na redução de entraves regulatórios, otimização da logística e expansão do seguro.
- Renan Santos: propõe maior agregação de valor nas cadeias agroindustriais, atração de crédito vinculado a metas produtivas e de exportação, e uso intensivo de tecnologia.
