Criminosos estão utilizando publicações na rede social TikTok para divulgar e promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil, cujas negociações e entregas ocorrem por meio do aplicativo Telegram. A constatação foi feita após o monitoramento de mais de 30 perfis no TikTok ao longo de semanas.
De acordo com o levantamento, os criminosos inserem códigos nos comentários de postagens variadas — que vão desde vídeos de animais até conteúdos gerados por inteligência artificial envolvendo figuras públicas — para driblar os sistemas de fiscalização das plataformas e atrair interessados para o Telegram. No aplicativo de mensagens, o material é comercializado em pacotes de fotos e vídeos.
Os preços cobrados costumam ser baixos devido à concorrência entre diversos vendedores, variando a partir de R$ 10 por pacotes que podem conter gigabytes de arquivos, ou valores em moeda estrangeira em outros canais verificados. O pagamento é realizado por meio de criptomoedas ou PIX. Investigadores da Polícia Federal apontam que criminosos chegam a utilizar contas de terceiros — como laranjas ou conhecidos — e alegam falsamente que as transações não serão rastreadas, embora o uso do PIX deixe rastros que auxiliam no trabalho policial.
A legislação brasileira prevê penas severas para crimes dessa natureza. Sancionada em agosto de 2026, uma nova lei estabelece penas de 4 a 10 anos de reclusão e multa para quem produz ou vende esse tipo de material, e de 3 a 6 anos para quem adquire, possui ou mantém os arquivos. Especialistas e representantes de órgãos de proteção à infância ressaltam que toda a cadeia — desde a produção até a aquisição e o recebimento — está sujeita à responsabilização legal.
Procuradas, as plataformas envolvidas se manifestaram sobre os casos. O Telegram declarou que proíbe expressamente a distribuição desse tipo de conteúdo e que removeu mais de 300 mil grupos e canais relacionados ao tema em 2026, utilizando moderação humana e ferramentas automatizadas. O TikTok afirmou que remove rapidamente postagens irregulares e bane permanentemente as contas envolvidas, ressaltando o uso de tecnologias para identificar e coibir violações às diretrizes da comunidade. A Meta, dona do Instagram, informou que investe em tecnologia para detectar e coibir proativamente potenciais infrações às suas regras de exploração e abuso infantil.
