O Supremo Tribunal Federal realizou uma sessão de cinco horas com o objetivo de debater uma rota de saída para sua crise de confiança interna e perante a opinião pública. O ponto central da pauta seria a deliberação sobre a permissão para investigar o juiz Alexandre de Moraes, sob suspeita de envolvimento em um contrato milionário firmado entre o escritório de advocacia de sua família e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras.
No entanto, aliados de Moraes — os juízes Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin — articularam manobras de obstrução. O grupo impediu que o plenário votasse sobre a investigação e direcionou o foco para o julgamento do adversário interno, o juiz André Mendonça. Mendonça atuava como relator do caso Master até a semana anterior, quando solicitou uma decisão colegiada a respeito das suspeitas envolvendo Moraes.
Durante os debates, Gilmar Mendes criticou duramente Mendonça, acusando-o de ativismo ligado a uma "máfia" política associada a Jair Bolsonaro e de interferir indevidamente no processo eleitoral. Mendes também fez apelos para que o tribunal fosse desvinculado das eleições. Por sua vez, Flávio Dino utilizou um pedido de vista para suspender o caso por até 90 dias, argumentando que a condução do presidente da corte, Edson Fachin, foi "desastrosa" e que o plenário não tinha condições de deliberar diante do clima tenso.
A juíza Cármen Lúcia manifestou consternação com os desdobramentos da reunião, declarando-se envergonhada e pedindo desculpas ao povo brasileiro pelo mal-estar cívico gerado pelo tribunal. A sessão também contou com a participação do juiz José Antonio Dias Toffoli, que repetiu por seis vezes que seu caso suspeito com o Master já havia transitado em julgado após ser arquivado pela presidência da corte.
O tribunal encerrou o dia evidenciando a perda de controle sobre a crise instaurada oito meses antes, quando optou por não decidir sobre o envolvimento de magistrados de cortes superiores com Daniel Vorcaro. O impacto da crise se reflete na estagnação de processos e na perda de credibilidade pública. Dados citados apontam que 51% dos entrevistados em pesquisa do Datafolha veem os ministros como servidores arrogantes que decidem por interesses próprios, enquanto sondagem da Meio/Ideia indica que 77% avaliam que os magistrados possuem poder excessivo, resultando em menor confiança na instituição e alimentando discussões sobre uma possível reforma do Judiciário a partir de 2027 para limitar o papel do STF a tribunal constitucional.
