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Crise de moradia domina eleição em Berlim e testa governo de Merz

A disparada dos aluguéis e a escassez de moradias dominam a eleição em Berlim em 20 de setembro, testando o governo do chanceler Friedrich Merz.

Redação•19 de set. de 2026, 14:24
Crise de moradia domina eleição em Berlim e testa governo de Merz
Imagem: site

Crise de moradia domina eleição em Berlim e testa governo de Merz

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A disparada dos aluguéis e a escassez de moradias tornaram-se o tema central da campanha eleitoral em Berlim, às vésperas do pleito marcado para o dia 20 de setembro. A disputa na capital alemã também serve como um novo teste para o governo do chanceler Friedrich Merz, que enfrenta dificuldades em meio ao avanço da extrema-direita em outros estados do país.

Em uma cidade onde 85% das famílias vivem em imóveis alugados, a questão habitacional lidera as preocupações dos eleitores berlinenses, sendo citada por 32% dos entrevistados na pesquisa "BerlinTrend", do instituto Infratest dimap, superando temas como imigração, criminalidade e transporte. O debate sobre a construção de habitações nas bordas do Tempelhofer Feld — antigo aeródromo transformado em parque urbano — dividiu os eleitores, polarizando a discussão entre a necessidade de novas residências e a preservação de espaços verdes.

Na última década, o crescimento econômico de Berlim superou a média alemã, impulsionado pelo setor de serviços e pela consolidação da cidade como capital das startups na Alemanha, com cerca de 500 empresas fundadas anualmente. No entanto, o avanço populacional e econômico elevou drasticamente os custos: desde 2014, quando dois terços dos eleitores rejeitaram a urbanização de Tempelhof em referendo, os preços anunciados dos aluguéis quase dobraram. O governo local estima que a capital precisará de 211 mil novas moradias entre 2026 e 2040.

A insatisfação popular levou milhares de manifestantes às ruas de Berlim em 5 de setembro para protestar contra os altos custos habitacionais. "É preciso mudar imediatamente essa situação em que, em Berlim, pode-se acabar pagando facilmente 1.500 euros (cerca de 8.800 reais) ou mais de aluguel por um apartamento de um ou dois cômodos. Quem, afinal, teria condições de pagar isso? Não vejo como seja possível com empregos comuns", declarou a manifestante Mareen Harant.

Enquanto isso, o partido de extrema-direita AfD (Alternativa para a Alemanha) utiliza a crise habitacional para reforçar seu discurso de restrição à imigração. A legenda registra cerca de 17% de apoio na capital, atrás da CDU de Merz e do partido "A Esquerda" (Die Linke), mas à frente do SPD e do Partido Verde, de acordo com levantamento do instituto Forschungsgruppe Wahlen divulgado em 11 de setembro. A votação em Berlim ocorre no mesmo dia em que o estado vizinho de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental vai às urnas, sucedendo a recente vitória da AfD na Saxônia-Anhalt.

Além do mercado imobiliário, a identidade cultural da capital também sofre impactos do encarecimento do solo. Segundo um estudo da associação Clubcommission, apenas 30% dos estabelecimentos da tradicional cena de clubes de Berlim relataram lucro, enquanto 95% afirmam estar com a existência em risco. Para Martin Gornig, pesquisador do DIW Berlin (Instituto Alemão de Pesquisa Econômica), o desafio central da cidade reside na administração do espaço urbano: "O recurso mais importante que uma cidade possui é o seu espaço. O solo é um ativo que não pode ser ampliado em resposta a uma maior demanda; ele precisa ser administrado.", afirmou.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/eleicoes-alemanha-berlim/

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