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Crise entre Estados Unidos e Ucrânia se aprofunda em meio a disputa sobre Starlink e ataques

A pior crise entre EUA e Ucrânia se aprofunda com disputas sobre o sistema Starlink, restrições militares e o anúncio de Zelensky sobre a retomada de ataques a refinarias russas.

Redação•18 de out. de 2026, 11:30
Crise entre Estados Unidos e Ucrânia se aprofunda em meio a disputa sobre Starlink e ataques
Imagem: site

Crise entre Estados Unidos e Ucrânia se aprofunda em meio a disputa sobre Starlink e ataques

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A relação entre os Estados Unidos e a Ucrânia enfrenta sua pior crise desde o colapso no Salão Oval ocorrido no ano passado. O atrito se intensificou em torno de uma disputa sobre quem ordenou a interrupção de um sistema militar ucraniano crítico que opera no serviço de internet Starlink, de Elon Musk. A tensão atual reflete o esforço de Donald Trump para reduzir os custos energéticos da guerra às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA, o que, segundo críticos, torna mais difícil e perigoso para a Ucrânia vencer o conflito.

Em entrevista à Newsmax na quinta-feira (15), Trump criticou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. "Não sou um grande fã de Zelensky. Eles destruíram aquele país", declarou Trump, que também afirmou considerar o líder ucraniano mais difícil de lidar do que Vladimir Putin. A Ucrânia já havia se envolvido na política americana em 2019, quando um telefonema presidencial utilizou a promessa de ajuda militar para tentar pressionar Zelensky a abrir investigações sobre Joe Biden e seu filho Hunter.

A crise recente começou na sexta-feira (9), quando Trump anunciou um acordo que burla sanções para comprar diesel da Rússia. No fim de semana, o governo americano alertou que os EUA poderiam suspender o compartilhamento de inteligência para operações militares ucranianas e bloquear compras europeias de armas fabricadas em solo americano caso Kiev não interrompesse os ataques de longo alcance contra refinarias russas. Após reações inclusive de republicanos, Trump anunciou um cessar-fogo cobrindo instalações de energia, mas sinalizou que não havia avisado os combatentes com antecedência.

A Ucrânia acatou a trégua, mas a Rússia respondeu com ataques aéreos e de drones contra usinas de energia ucranianas, deixando 600.000 pessoas sem luz. Na terça-feira (13), Zelensky afirmou que seu governo não recebeu o aviso prévio habitual dos EUA antes de um ataque russo com míssil balístico atingir uma usina de energia em Kiev e danificar um edifício residencial. Katya Futyma, moradora de Kiev de 23 anos, relatou à CNN que os ataques na capital estão cada vez mais assustadores e que os mísseis balísticos russos estariam chegando sem aviso por motivos políticos.

A vulnerabilidade civil aumentou na quinta-feira (15) com a notícia de que a Ucrânia ficou sem mísseis para o sistema de defesa aérea Patriot, fabricado pelos EUA. Embora Trump tenha mencionado no início do ano a possibilidade de licenciar a Ucrânia para produzir versões da arma, a medida não avançou. Diante disso, a paciência de Zelensky se esgotou e ele anunciou ao Financial Times a retomada dos ataques a instalações energéticas russas. "Acabou", disse ele, acusando os EUA de buscarem novos acordos com Putin, possivelmente por gás.

A polêmica em torno do sistema SpaceX Starshield, versão militar do Starshield/Starlink de Musk, escalou o furor em Washington e Kiev. Os generais ucranianos relataram choque com as limitações impostas ao sistema, cujo controle é do governo dos EUA, e não de Musk. As restrições reduziram a velocidade de equipamentos militares ucranianos, como drones, e prejudicaram comunicações e operações de aviões e helicópteros, conferindo vantagem à Rússia.

Enquanto Musk afirmou no X na quarta-feira (14) que limites de velocidade ou uso são decididos pelos militares dos EUA e pelo presidente, dois altos funcionários americanos disseram à CNN que a ordem não partiu de Trump, gerando convicção em alguns funcionários de que Musk foi o principal responsável. Zelensky, por sua vez, afirmou ao Financial Times que o problema não foi técnico.

O senador democrata Chris Coons afirmou à CNN na quarta-feira (14) que Trump está desesperado para melhorar sua posição e a dos republicanos no Senado nas eleições de meio de mandato. Por outro lado, o governo americano defende que o presidente busca oportunidades para a paz. Trump declarou na segunda-feira (12) acreditar que Putin quer fazer um acordo mais do que Zelensky. No entanto, Putin mantém a exigência de que a Ucrânia ceda territórios críticos no leste.

Tom Keatinge, diretor do Center for Finance and Security do Royal United Services Institute em Londres, avaliou à CNN Internacional na quinta-feira que Donald Trump está colocando sua posição eleitoral acima da segurança, da proteção e das vidas do povo ucraniano.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-crise-eua-ucrania-se-aprofunda-em-disputa-sobre-starlink/

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