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Crise habitacional na Espanha gera protestos e abala governos

Protestos na Espanha e em metrópoles globais escancaram uma profunda crise habitacional impulsionada pela alta de preços e escassez de moradias.

Redação•15 de out. de 2026, 21:30
Crise habitacional na Espanha gera protestos e abala governos
Imagem: site

Crise habitacional na Espanha gera protestos e abala governos

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Um acampamento com mais de 5.000 pessoas ocupa há um mês a Praça Puerta del Sol, em Madri, refletindo uma onda de protestos que se espalhou por cinquenta cidades da Espanha. O estopim para a mobilização foi o despejo viralizado de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos que perdeu sua casa após um aumento de 275% no aluguel e faleceu poucos dias depois. A crise imobiliária espanhola ocorre em meio a uma alta média de 84% nos aluguéis na última década.

Na União Europeia, o preço dos imóveis cresceu 60% no mesmo período, superando em três vezes o avanço da renda. Os aluguéis passaram a consumir mais de 40% dos salários, patamar classificado pela OCDE como alerta vermelho financeiro. Dan Jørgensen, comissário europeu para habitação, definiu a situação como uma emergência. O tema superou imigração e segurança nas preocupações de países como Irlanda, Países Baixos, Canadá e Austrália. Nos Estados Unidos, comprar uma residência custa cinco vezes a renda anual familiar, com juros sobre hipotecas atingindo 7,3%.

A escassez de moradias afeta diversas metrópoles globais. A Alemanha constrói apenas metade das 400.000 unidades necessárias anualmente, enquanto a França projeta 300.000 novas residências neste ano, ficando 220.000 abaixo da demanda. A Espanha enfrenta um déficit de 750.000 habitações, agravado pela presença de estrangeiros, que representam um quinto dos novos compradores.

Diante da crise, impactos políticos já são observados. Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez teve um projeto de reformas rejeitado pelo Congresso e antecipou as eleições para 29 de novembro. Em Berlim, onde os aluguéis subiram quase 70% na última década, o partido Die Linke venceu as eleições de setembro com promessas de limitar a ação de grandes imobiliárias e reduzir tarifas. Em Nova York, o socialista Zohran Mamdani elegeu-se prometendo congelar aluguéis controlados de 2 milhões de inquilinos e construir 200.000 unidades habitacionais populares na próxima década.

Especialistas apontam fatores adicionais para a alta de preços, como plataformas de aluguel de curta duração, a exemplo do Airbnb, que ocupam até 20% dos imóveis em destinos turísticos, e a chegada de imigrantes em Lisboa, Dublin e Vancouver. O economista Igor Lucena, da Associação Portuguesa de Ciência Política, afirma que estímulos ao turismo e à imigração não vieram acompanhados da construção de moradias. Em contrapartida, Viena, na Áustria, abriga metade de sua população em moradias subsidiadas por meio de investimentos anuais de 500 milhões de euros em uma política centenária.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/explosao-de-protestos-na-espanha-escancara-efeitos-da-profunda-crise-habitacional-das-metropoles/

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