Divulgada nesta quarta-feira (23), a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg aponta que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal traz impactos mais negativos para a campanha de reeleição de Lula (PT) do que para a de Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista ao programa Hora H desta quarta-feira, o analista Rafael Cortez explicou que, embora o escândalo do Master seja mais associado a Flávio Bolsonaro, é o atual presidente quem sai mais prejudicado no cenário político.
Segundo o levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, 52,3% dos eleitores entrevistados avaliam que a crise no STF prejudica mais Lula. Por outro lado, 20,7% acreditam que Flávio Bolsonaro é o mais afetado. O estudo mostra ainda que 15,5% dos participantes consideram que ambos são prejudicados da mesma forma, 7,5% entendem que nenhum dos dois sofre impactos negativos e quase 4% não souberam responder.
Sobre o escândalo do Master, os dados da pesquisa revelam um empate técnico entre os grupos políticos. O envolvimento no esquema é atribuído aos aliados de Bolsonaro por 43,8% dos eleitores, enquanto 43,4% apontam os aliados de Lula. Além disso, 10,6% responsabilizam todos os lados, 1,5% indicam o Centrão e 0,6% não souberam responder.
“A agenda que vem do Supremo Tribunal Federal é negativa para a campanha de reeleição. A gente pode até discutir a intensidade desse efeito negativo, mas é um tema que dificulta que o governo melhore sua imagem ao longo da campanha eleitoral”, declarou Rafael Cortez.
O analista pontuou que, tradicionalmente nas democracias, os governos partem com vantagem nas disputas de reeleição devido à força de sua mensagem. No entanto, o desgaste gerado pela crise do STF impediu que a opinião pública se voltasse para pautas mais vantajosas para a campanha governista. Como tentativa de reverter esse cenário e emplacar uma agenda favorável, o Palácio do Planalto adotou a medida de reajustar o Bolsa Família.
Possível postergação de decisões na Corte
Questionado sobre a hipótese de o STF adiar sessões — incluindo o caso de Alexandre de Moraes, que pode ficar para o próximo ano —, Cortez avaliou que eventual postergação tenderia a diminuir o impacto negativo para o governo federal, uma vez que novos assuntos passariam a ocupar o centro do debate público.
Contudo, o especialista fez um alerta em relação ao cenário institucional:
“Os movimentos mais recentes por parte dos ministros não sugerem que eles, individualmente, queiram dar uma contribuição para a superação dessa tensão.”
Para Cortez, o conflito no Supremo possui um reflexo eleitoral, mas também evidencia problemas estruturais nas regras do jogo, sobretudo quanto a um compromisso ético entre os ministros. O analista concluiu que essa conjuntura tem provocado uma expressiva crise de legitimidade da Corte perante o eleitorado.
