O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro manifestam preocupação com os reflexos da crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF) na reta final da disputa pela Presidência da República. Segundo a análise, ambos têm motivos para temer o impacto desse cenário eleitoralmente.
De um lado, Lula busca evitar sua associação à imagem pública do ministro Alexandre de Moraes, visto como aliado do governo desde o início das ações penais sobre a frustrada tentativa de golpe de estado após o pleito de 2022 — processo que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão.
Moraes encontra-se no epicentro da atual crise institucional instalada no STF desde o final do ano passado, desencadeada por revelações sobre uma rede de influência articulada pelo Banco Master nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O magistrado é alvo de suspeitas de atuação em um negócio envolvendo o escritório de advocacia de sua família e o ex-proprietário do Master, Daniel Vorcaro, preso em razão de fraudes financeiras. O contrato em questão alcança a cifra de 131 milhões de reais, montante equivalente a 25,1 milhões de dólares.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro segue a postura da família de responsabilizar o STF por todos os reveses políticos e direciona críticas específicas a Alexandre de Moraes, classificando as ações contra seu pai como uma "farsa" destinada a excluí-lo da vida pública. O parlamentar tem associado a imagem do atual presidente à do magistrado em declarações públicas, repetindo que votar em Lula representa apoiar Alexandre de Moraes.
A estratégia de Flávio Bolsonaro visa atingir dois opositores simultaneamente e afastar o foco de suas próprias conexões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar negociou com Vorcaro um contrato estimado em 124 milhões de reais — o equivalente a 23,8 milhões de dólares —, que teria como finalidade o financiamento de uma cinebiografia sobre seu pai.
As repercussões decorrentes do caso Master prometem complicar o cenário para ambos na fase decisiva de uma disputa presidencial considerada acirrada pelas pesquisas. Além disso, a instabilidade na mais alta corte do país ameaça inflamar as campanhas para o Senado, onde o Partido Liberal (PL), principal sigla da oposição e integrando o grupo de Flávio Bolsonaro, intensificou investimentos em candidaturas competitivas em 24 estados e no Distrito Federal, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula, aposta em 15 candidaturas.
A turbulência institucional não demonstra perspectiva de resolução antes, durante ou após o pleito, gerando o risco de se prolongar pelo ano seguinte e empurrar o país para um cenário de insegurança jurídica.
