Proposta para autonomia da Polícia Federal
O candidato à presidência, Augusto Cury (Avante), defendeu nesta quarta-feira (9) a adoção de uma lista tríplice para a escolha do diretor-geral da Polícia Federal (PF). Em declaração durante a Bienal do Livro, em São Paulo, Cury afirmou que a indicação deveria partir dos próprios delegados federais, cabendo ao presidente da República a escolha final a partir dessa lista.
Segundo o candidato, esse formato garantiria maior autonomia à instituição. "Para não haver interferência na Polícia Federal, deveria haver uma lista tríplice de delegados federais, escolhidos pelos próprios delegados federais, e o presidente escolhe um a partir desta lista tríplice", defendeu. Cury ressaltou que a PF é uma política de Estado e não deve ser vinculada a governos ou partidos.
Críticas ao STF e papel dos agentes públicos
Ao comentar o cenário político e jurídico, o escritor afirmou estar "muito triste" com os recentes conflitos entre o STF e a Polícia Federal. Para Cury, agentes públicos, tanto eleitos quanto de carreira, são "empregados do contribuinte" e devem prestar contas à sociedade, reforçando a importância da separação dos Poderes.
Crise e decisões de Fachin
O posicionamento de Cury ocorre em meio à crise envolvendo o comando da PF. Na mesma data, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspendeu tanto a decisão do ministro André Mendonça — que havia afastado Andrei Rodrigues do cargo — quanto a determinação de Flávio Dino, que ordenara sua recondução. Com isso, Andrei Rodrigues permanece no posto até uma decisão definitiva do plenário da Corte, agendada para 15 de setembro.
A crise foi intensificada após a retirada do sigilo de um relatório da PF por Mendonça, que apontava contatos entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Moraes solicitou a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade e supostas irregularidades em apurações sobre o banco e fraudes no INSS.
