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Economia

Dados do IBGE mostram recuo do home office em 2025, mas patamar permanece acima do período pré-pandemia

Dados da PNAD Contínua 2025 divulgados pelo IBGE mostram que o home office recuou para 7,9%, mas segue acima dos níveis registrados antes da pandemia.

Redação•23 de set. de 2026, 12:24
Dados do IBGE mostram recuo do home office em 2025, mas patamar permanece acima do período pré-pandemia
Imagem: site

Dados do IBGE mostram recuo do home office em 2025, mas patamar permanece acima do período pré-pandemia

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Novos dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (23), por meio da pesquisa PNAD Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025, indicam que o trabalho realizado em domicílio perdeu espaço em relação ao pico registrado após a pandemia de Covid-19, mas continua em um patamar superior ao verificado antes da crise sanitária.

Em 2022, o percentual de trabalhadores que exerciam suas atividades em casa era de 8,4%. Esse número recuou para 7,9% em 2025. Paralelamente, a parcela de profissionais em estabelecimentos físicos avançou de 57,9% para 60,2% no mesmo intervalo. Em comparação com períodos anteriores, a proporção de 2019 (5,8%) e de 2012 (3,6%) evidencia que as transformações nos modelos de atuação laboral antecedem a pandemia.

O avanço do setor de serviços, a digitalização econômica e a expansão das plataformas digitais e do trabalho autônomo já pressionavam pela redução de locais fixos únicos, processo que foi acelerado pela pandemia. Com a impossibilidade de realizar a pesquisa em 2020 e 2021, o pico exato do isolamento não foi medido, mas o salto observado em 2022 demonstrou a mudança de cenário. Em 2025, a distribuição dos locais de trabalho apontava:

  • 60,2% em estabelecimentos do próprio empreendimento;
  • 13,8% em locais definidos pelo empregador ou cliente;
  • 8,4% em fazendas, sítios, granjas ou chácaras;
  • 7,9% dentro de casa;
  • 5% em veículos automotores;
  • 2,1% em vias ou áreas públicas.

Segundo William Araujo Kratochwill, pesquisador do IBGE, a classificação da pesquisa considera o local de atuação mais frequente. Dessa forma, trabalhadores que exercem funções quatro dias em casa e um no escritório, ou o inverso na modalidade híbrida, são contabilizados na categoria majoritária da semana, o que ajuda a explicar a permanência de um patamar relativamente alto para o trabalho domiciliar.

Retorno ao presencial e impacto corporativo

O movimento mapeado pelo IBGE alinha-se a outras pesquisas do mercado de trabalho. Um estudo da Robert Half aponta que profissionais da construção civil e engenharia atuam presencialmente por uma média de 4,8 dias semanais, enquanto no setor de serviços a média é de 3,3 dias. Outro levantamento da WeWork com a Offerwise indica que 63% dos trabalhadores atuam de forma presencial, sendo que 79% apontam a exigência como determinação da empresa. A Gupy também registrou queda nas vagas 100% remotas em favor das oportunidades presenciais e híbridas.

Entre os motivos corporativos para a exigência da presença física, levantamentos da Robert Half apontam:

  • 68% citam o fortalecimento da cultura organizacional;
  • 63% apontam melhora da comunicação e colaboração entre equipes;
  • 59% mencionam maior integração e supervisão;
  • 50% relacionam o modelo ao aumento da produtividade.

Desafios, moradia e mercado imobiliário

A volta aos escritórios recolocou em debate o tempo de deslocamento e gastos com transporte. A pesquisa da WeWork aponta que 65% dos empregados consideram o trajeto a principal desvantagem do presencial, e mais da metade relata aumento de gastos com transporte. O fenômeno é classificado por Beatriz Kawakami, gerente de negócios da WeWork Brasil, como um “custo silencioso” que reduz o tempo pessoal e eleva despesas.

As mudanças no modelo de trabalho também repercutiram nas decisões de moradia e no mercado imobiliário. Enquanto a migração para cidades mais tranquilas e casas maiores marcou o período de forte adesão remota, a exigência do formato híbrido ou presencial alterou o foco residencial. Levantamento do Colégio Notarial do Brasil (CNB/SP) apontou que São Paulo registrou recorde histórico em 2025 com 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis — volume 49,6% superior a 2020 —, enquanto municípios do interior que haviam se beneficiado do home office registraram desaceleração nas transações, segundo Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do CNB/SP.

A região Sudeste lidera a concentração de trabalhadores em domicílio, registrando 8,2%. Para William Araujo Kratochwill, o índice reflete a forte concentração de empresas e atividades compatíveis com o trabalho remoto em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.

Fonte: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/09/23/trabalho-local-ibge.ghtml

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