A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra de Jair Bolsonaro, afirmou em declaração à revista VEJA que cada voto recebido por candidatos do PL nas urnas funcionou como um “habeas corpus” para o ex-presidente. Segundo a parlamentar, a votação expressiva foi uma resposta de cidadãos que buscaram demonstrar apoio diante de uma suposta injustiça contra o capitão reformado, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, e aos desmandos atribuídos ao Supremo Tribunal Federal.
Damares exaltou as votações recordes de nomes do PL, como Nikolas Ferreira (MG) e Lucas Pavanato (SP) para a Câmara dos Deputados, além de sua amiga Michelle Bolsonaro (DF) para o Senado. Para a senadora, o avanço da direita nas urnas no último domingo, 4, ocorreu sob a liderança política de Jair Bolsonaro, mesmo com ele preso e proibido de se manifestar publicamente.
O desempenho eleitoral impulsionou aliados a projetarem o retorno do ex-presidente à política. Valdemar Costa Neto, líder do PL, declarou que a eventual eleição de Flávio Bolsonaro serviria para libertar seu pai, o que o colocaria como um forte candidato à Presidência da República em 2030. Endossando o coro, Damares afirmou: “O nosso sonho é Bolsonaro voltar para a urna”.
Com os resultados obtidos, a partir de fevereiro de 2027 o PL passará a contar com as maiores bancadas do Congresso Nacional, somando 28 senadores e 121 deputados. Na disputa presidencial, o candidato da legenda avançou ao segundo turno à frente de Lula, registrando 47% contra 45% e uma vantagem de 2,2 milhões de votos. Entre os vinte governadores já definidos, onze apoiaram o candidato bolsonarista na rodada final.
Flávio Bolsonaro também recebeu apoios adicionais de Lorenzo Pazolini (Republicanos-ES) e Alan Rick (Republicanos-AC), concorrentes no segundo turno estadual no final de outubro, bem como de Douglas Ruas (PL), cotado para o governo do Rio de Janeiro após decisão do Tribunal Superior Eleitoral de anular os votos de Anthony Garotinho (Republicanos).
Diante desse cenário, Damares avaliou que a prisão do ex-presidente pela Suprema Corte, motivada pelo receio de sua interferência no pleito, não surtiu o efeito desejado, visto que sua influência permaneceu evidente.
