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Daniel Vorcaro relata repasses para filme sobre Lula em troca de negócios no governo

Banqueiro Daniel Vorcaro relata à PGR repasses milionários para documentário sobre Lula e propinas para acessar fundos de pensão federais.

Redação•09 de out. de 2026, 01:30
Daniel Vorcaro relata repasses para filme sobre Lula em troca de negócios no governo
Imagem: site

Daniel Vorcaro relata repasses para filme sobre Lula em troca de negócios no governo

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O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em relatos e documentos obtidos pela revista Veja, que liberou dinheiro para financiar uma produção cinematográfica sobre o presidente Lula como parte de negociações para acessar cofres de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo petismo. Vorcaro está preso em Brasília desde março sob a acusação de fraudes bancárias.

Segundo a apuração, a confissão do banqueiro foi levada em um anexo à Procuradoria-Geral da República em junho. O material descreve que a articulação com o Partido dos Trabalhadores envolveu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que teria intermediado um encontro inicial com Vaccari por meio do ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, então CEO do Banco Master.

De acordo com o relato do banqueiro, o acordo previa o pagamento de cerca de 30 milhões de reais em espécie, repassados por fora ao Instituto Lula — gerido por Paulo Okamotto —, destinados a cobrir despesas de um documentário sobre o petista no exterior, além de valores não revelados pagos diretamente ao instituto. O filme citado é o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone. Vorcaro também afirmou que Vaccari exigiu uma taxa de 10% sobre todas as captações do banco junto aos fundos de previdência da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Petrobras e Correios, o que renderia 1 bilhão de reais aos petistas e 9 bilhões de reais ao banco.

A confissão de Vorcaro aponta ainda a participação do então ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, do então secretário-executivo Olavo Noleto, e de um operador identificado como Júlio, que possuía livre acesso ao gabinete de Padilha no Palácio do Planalto. Mensagens e registros obtidos pela Polícia Federal indicam que o grupo cobrou um adiantamento de 500 mil reais no dia em que o Banco Master foi incluído na "lista exaustiva" de instituições autorizadas a operar com os fundos estatais, em 29 de abril de 2024. O banqueiro também relatou ter oferecido jantares em sua residência para Padilha e seus auxiliares.

Os planos de captação foram interrompidos em julho de 2024, após reportagens na imprensa apontarem a exoneração de gerentes da Caixa que emitiram pareceres contrários aos investimentos do Banco Master. Embora o acesso aos fundos federais não tenha se concretizado da forma planejada, Vorcaro relatou ter obtido recursos em fundos municipais sob influência do operador do grupo e tentado viabilizar uma agenda de reuniões com o presidente Lula, embora não haja provas de que o encontro com o chefe do Executivo tenha ocorrido nesse contexto.

Procurados pela reportagem, Lula declarou que jamais solicitou ou recebeu vantagens financeiras nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome. Olavo Noleto e Alexandre Padilha negaram qualquer relação com o banqueiro ou recebimento de recursos. Os demais citados não se manifestaram até o fechamento. O material entregue por Vorcaro foi inicialmente descartado pela Procuradoria-Geral da República por falta de provas materiais diretas sobre os pagamentos em dinheiro vivo, e o banqueiro atualmente trabalha em sua terceira proposta de delação premiada.

Fonte: https://veja.abril.com.br/politica/vorcaro-conta-que-liberou-dinheiro-para-filme-sobre-lula-por-negocios-no-governo/

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