O ministro interino ou representante da Fazenda, Dario Durigan, evitou fazer promessas ao mercado financeiro ao ser questionado sobre a política econômica de um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação foi feita pela analista e editora de Economia da CNN, Lucinda Pinto, após participar de entrevista com o ministro no CNN 360° e comentar as declarações no CNN Prime Time.
De acordo com a análise, a principal mensagem transmitida por Durigan foi a garantia de que não haverá alteração de rumo na condução econômica do país. O ministro afirmou enfaticamente que não ocorrerá um “cavalo de pau na economia” e defendeu que o governo atual realizou uma gestão fiscal responsável, mencionando o contingenciamento de gastos e medidas de proteção à população.
Reação do mercado e dívida pública
Lucinda Pinto pontuou que Durigan não entregou a sinalização que o mercado financeiro possivelmente aguardava, que seria o reconhecimento ou a correção de eventuais equívocos na gestão. “Ele não reconheceu que houve nenhuma decisão errada”, destacou a analista.
Questionado a respeito do aumento da dívida pública e das elevadas despesas com juros, o ministro atribuiu tal cenário fiscal ao patamar atual das taxas de juros. Além disso, Durigan evitou aprofundar reflexões sobre a alta do mercado após o primeiro turno das eleições, rotulando o comportamento dos investidores como uma reação a “um pastel de vento”.
Críticas a propostas de oposição
Durante a entrevista, Durigan também direcionou críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), colocando em dúvida a viabilidade da promessa de corte de centenas de bilhões de reais para o ano de 2027 apresentada pela equipe econômica do candidato.
A analista Lucinda Pinto avaliou que o ministro tem razão ao cobrar explicações sobre como o referido ajuste fiscal seria executado. No entanto, ela ponderou que o mercado aparenta estar inclinado a apoiar essa alternativa, mesmo com seus fardos e dificuldades, por demonstrar rejeição ao modelo oferecido pela gestão atual.
