Considerado uma figura de forte influência em Brasília, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) enfrenta um cenário de desafios em sua base eleitoral no Amapá, onde seu grupo político comanda o estado há onze anos. A hegemonia construída desde 2014, quando Waldez Góes foi eleito — hoje atuando como ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional de Lula —, encontra resistência expressiva no pleito atual.
O candidato apoiado por Alcolumbre ao governo estadual, o atual governador Clécio Luis (União Brasil), registra dificuldades expressivas para assegurar a reeleição. Conforme pesquisa divulgada pelo Real Time Big Data em setembro, Clécio soma 31% das intenções de voto, ficando atrás do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, conhecido como Dr. Furlan (PSD), que aparece com 62%.
O peso de Macapá na política amapaense é apontado como um fator central, concentrando 56% do eleitorado do estado, composto por dezesseis municípios. Em 2014, Furlan venceu a prefeitura no primeiro turno superando a votação obtida por Clécio ao governo dois anos antes em cerca de 86.000 votos. Antônio Furlan destacou a centralidade da capital e a mudança na gestão local. A esposa do prefeito, Rayssa Furlan (Podemos), também se posiciona como adversária política de Alcolumbre: após quase conquistar a vaga do senador em 2022, ela lidera a disputa ao Senado com 33% das intenções de voto. Atrás dela aparecem os aliados do parlamentar, Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo no Congresso, com 20%, e Alliny Serrão (União Brasil), com 9%.
A aliança de Alcolumbre com o presidente Lula representava uma aposta estratégica para as eleições de 2026, com palanque compartilhado voltado para impulsionar o governador e Randolfe. A articulação incluiu a aparição conjunta de Lula, Alcolumbre, Randolfe e Clécio em um navio-sonda da Petrobras na costa do Amapá para repercutir a descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. Contudo, o impacto político do presidente no estado demonstra limitações, refletindo um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), com 34% a 32%.
As dificuldades no reduto eleitoral coincidem com o acirramento das pressões enfrentadas por Alcolumbre em Brasília. Na última semana, o senador foi associado a uma investigação da Polícia Federal após ser citado em relatório apócrifo como alvo estratégico de apuração sob relatoria do ministro André Mendonça. Além disso, o parlamentar lida com cobranças para pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes e com críticas de senadores em razão de um suposto recesso branco na Casa em meio ao contexto de crise institucional.
A repercussão nacional também alcançou o estado. No domingo 13, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) liderou um ato público em Macapá contra Alcolumbre, reunindo cerca de 6.000 pessoas. Na ocasião, o parlamentar mineiro criticou a atuação do senador na política estadual.
Além do cenário no Amapá, Alcolumbre monitora o impacto da renovação de dois terços das cadeiras do Senado em outubro. As projeções apontam risco de avanço da direita bolsonarista — que se opõe ao senador —, o que pode viabilizar uma candidatura oposicionista na disputa pela presidência do Senado prevista para fevereiro de 2027. A cientista política da UFRJ, Mayra Goulart, avalia que o reflexo da polarização nacional em torno do Supremo Tribunal Federal favorece a eleição de nomes ligados à extrema direita.
