A mudança de postura do Planalto
A crise envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) provocou uma mudança na forma como o presidente Lula se refere ao magistrado. Segundo o editor de Radar, Robson Bonin, o petista, que costumava chamar o ministro de “Xandão”, passou a tratá-lo como “ministro do Temer”, em referência ao ex-presidente Michel Temer, responsável pela indicação de Moraes à Corte.
O afastamento estratégico
Para Bonin, essa alteração no vocabulário reflete uma tentativa clara do Palácio do Planalto de desvincular a imagem de Lula do desgaste provocado pelas controvérsias envolvendo o STF. A avaliação é de que, atualmente, o ministro Moraes tornou-se um “ativo tóxico” em Brasília para qualquer político com planos de reeleição.
Tensões internas e o papel de André Mendonça
Durante o programa Os Três Poderes, os editores discutiram as movimentações nos bastidores. A estratégia de defesa de Moraes, segundo José Benedito, foca em atacar a atuação do ministro André Mendonça, relator de investigações que atingem o magistrado. A intenção seria desqualificar o trabalho de Mendonça, associando-o politicamente a figuras como o senador Flávio Bolsonaro para questionar sua imparcialidade.
A análise aponta que, enquanto Lula busca se distanciar do ônus político de Moraes, o Judiciário enfrenta uma disputa interna intensa. O temor é que as manobras para desqualificar o relator impeçam uma resolução definitiva das questões apresentadas na sessão, mantendo o STF em uma crise prolongada.
