A defesa da ex-presidente da Argentina Cristina Fernández de Kirchner, que atualmente cumpre prisão domiciliar, acionou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) para solicitar a análise de sua condenação por corrupção. A equipe jurídica também pede a suspensão da proibição vitalícia que impede a ex-mandatária de ocupar cargos públicos, o que atualmente a impossibilita de concorrer nas eleições de 2027.
Fernández recebeu uma condenação em 2025 a seis anos de reclusão e à inabilitação permanente para o exercício de funções públicas após um julgamento por fraude. Os advogados sustentam que o processo judicial teria desrespeitado direitos fundamentais da política.
O advogado brasileiro Rafael Valim, integrante da defesa da ex-presidente, declarou que o grupo jurídico tenta viabilizar uma audiência no Comitê de Direitos Humanos da ONU no próximo mês. A movimentação pode obrigar os tribunais argentinos a reavaliar a sentença ainda antes do término do ano.
O cenário político traz dados de levantamentos recentes do instituto Zuban Córdoba, que apontam Fernández com 42% de aprovação, superando os 36,1% registrados pelo atual presidente Javier Milei.
Cristina Fernández esteve à frente da presidência argentina entre 2007 e 2015 e exerceu o cargo de vice-presidente de 2019 a 2023. Embora permaneça como uma das personalidades mais polarizadoras do país sul-americano, ela figura em levantamentos de intenção de voto com patamares comparáveis aos de Milei, abrindo a possibilidade de um retorno à política caso a decisão judicial seja revertida.
Analistas apontam que, mesmo com a liberação para concorrer, a ex-presidente precisará superar barreiras políticas, como a consolidação de apoio no interior do movimento peronista de esquerda da Argentina antes do pleito presidencial previsto para o próximo ano.
