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‘Deixei de lado muitas coisas’: Morte de Dolly Parton evidencia crise global de cuidadores

A morte de Dolly Parton aos 80 anos trouxe à tona o impacto devastador do papel de cuidador na saúde física e mental, um problema que afeta milhões de pessoas.

Redação•27 de ago. de 2026, 19:38
‘Deixei de lado muitas coisas’: Morte de Dolly Parton evidencia crise global de cuidadores
Imagem: site

‘Deixei de lado muitas coisas’: Morte de Dolly Parton evidencia crise global de cuidadores

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Em outubro, a icônica cantora Dolly Parton compartilhou com seus fãs uma atualização franca sobre seu estado de saúde. Em um vídeo intitulado “Eu ainda não morri!”, a artista explicou a negligência com o próprio bem-estar durante um período difícil: “Quando meu marido Carl estava doente, o que durou muito tempo, e depois ele faleceu, eu não cuidei de mim mesma, então deixei de lado muitas coisas que eu deveria ter cuidado”. Carl Dean, marido de Parton, faleceu em março de 2025. Embora o casal nunca tenha revelado a patologia específica, a cantora mencionou que ele esteve doente por um tempo considerável.

A luta silenciosa e o impacto na saúde

Dolly Parton faleceu esta semana aos 80 anos, vítima de um câncer sobre o qual não havia falado publicamente, após anos enfrentando desafios de saúde que incluíram pedras nos rins. Suas poucas palavras sobre o autocuidado negligenciado ressoam profundamente com a realidade de 63 milhões de cuidadores nos Estados Unidos. O fenômeno de esquecer-se de si ao cuidar de outrem é um problema sistêmico. Segundo Jason Resendez, presidente e CEO da National Alliance for Caregiving, a saúde dos cuidadores frequentemente se deteriora devido à intensidade do trabalho, e mesmo alguém com os privilégios de Parton não é uma exceção.

Estatísticas e relatos de uma crise invisível

Um relatório da National Alliance for Caregiving e da AARP revela que cerca de 23% dos cuidadores relatam dificuldades em manter a própria saúde enquanto auxiliam outra pessoa. Esse impacto é ainda mais acentuado entre mulheres, latinos, pessoas LGBTQ+ e cuidadores de baixa renda. Nancy Slavin, de 57 anos, que cuida da mãe em tempo integral, admitiu ter negligenciado exames de rotina para câncer por anos, além de sofrer limitações em sua vida social e atividades que antes lhe traziam prazer.

Mesmo cuidadores à distância, como Heidi Lescanec, de 54 anos, enfrentam o esgotamento. Ela descreve a sobrecarga emocional de ser a única responsável pela mãe, relatando dificuldades físicas básicas como respirar fundo e mastigar. De acordo com Resendez, um cuidador familiar dedica, em média, de 27 a 40 horas semanais a essa função, muitas vezes sem recursos financeiros para contratar ajuda profissional.

Barreiras logísticas e emocionais ao autocuidado

Quase dois terços dos cuidadores relatam estresse emocional, 45% sentem desgaste físico e um quarto vivencia a solidão. Allison Applebaum, diretora do Centro Familiar Steven S. Elbaum para Cuidadores, aponta que a negligência pessoal decorre de fatores logísticos, como a impossibilidade de planejar consultas médicas para si próprio. Além disso, muitos cuidadores evitam ambientes hospitalares em seu tempo livre após passarem longos períodos neles com seus entes queridos.

Neal K. Shah, CEO da CareYaya Health Technologies, viveu essa experiência ao cuidar da esposa com câncer. Ele relata que ignorou seus próprios sintomas por sentir que suas necessidades eram secundárias. Applebaum explica que cuidar de alguém terminal gera um sentimento de impotência, onde o ato de cuidar é a única forma de sentir controle, muitas vezes à custa da própria vida.

Um sistema de saúde que precisa de mudanças

Cuidadores familiares não remunerados representam um custo de saúde estimado em US$ 1 trilhão nos Estados Unidos. Apesar disso, apenas 15% deles são questionados por profissionais de saúde sobre suas próprias necessidades. Especialistas defendem que o suporte aos cuidadores, incluindo avaliações de saúde física e mental e serviços de cuidados de alívio, deve ser incorporado rotineiramente aos sistemas de saúde para evitar resultados negativos tanto para quem cuida quanto para quem recebe o cuidado.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/deixei-de-lado-muitas-coisas-a-luta-de-dolly-parton-contra-problemas-de-saude-evidencia-uma-crise-que-afeta-milhoes-de-cuidadores/

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