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Delação de Daniel Vorcaro é paralisada em meio à crise institucional no STF

A possibilidade de acordo de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro está paralisada devido à crise institucional e às incertezas processuais no STF.

Redação•21 de set. de 2026, 05:32
Delação de Daniel Vorcaro é paralisada em meio à crise institucional no STF
Imagem: site

Delação de Daniel Vorcaro é paralisada em meio à crise institucional no STF

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As negociações para um acordo de delação premiada envolvendo a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as autoridades do caso Master encontram-se paralisadas. A indefinição ocorre em decorrência da crise institucional no STF (Supremo Tribunal Federal) e das incertezas sobre o andamento do processo na Corte.

O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que o inquérito do Master fosse enviado a ele e ficasse paralisado até nova ordem. Com isso, os novos andamentos e as tratativas de colaboração ficaram estagnados. O relator do processo, ministro André Mendonça, permanece formalmente à frente do caso, mas está impedido de determinar diligências ou homologar qualquer colaboração de Vorcaro devido à decisão de Fachin.

Além de assumir o controle provisório do caso Master, Fachin pausou os processos referentes ao escândalo de corrupção no INSS e à suposta relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, ambos também sob a condução de André Mendonça. No caso de Moraes, a derrubada do sigilo de relatórios da Polícia Federal (PF) ordenada por Mendonça gerou um embate entre ministros. Mendonça encaminhou ao plenário um pedido de investigação contra o colega, cujo desfecho ainda não foi decidido pelo colegiado.

Para a defesa de Daniel Vorcaro, a divulgação de mensagens que apontam uma suposta relação próxima entre o banqueiro e Alexandre de Moraes pode dificultar o fechamento da delação, devido à exposição de menções a integrantes do STF encontradas no celular de Vorcaro. No dia 30 de setembro, a PF planeja realizar um novo depoimento do ex-banqueiro e de seu pai, Henrique Vorcaro, que também está preso. Esta será a primeira vez que o pai do empresário prestará depoimento, como parte da conclusão da 6ª fase da investigação.

Relação com a Polícia Federal e a PGR

A possibilidade de um acordo de colaboração também enfrenta incertezas nas relações com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), órgãos com previsão legal para negociar a delação. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, foi citado por Vorcaro em um depoimento prestado ao gabinete de André Mendonça sem a presença de policiais federais. Na ocasião, o banqueiro alegou que as negociações para a delação não avançaram porque ele poderia relatar detalhes de sua relação com Andrei Rodrigues. A defesa de Vorcaro e o diretor-geral não se manifestaram sobre o teor desse depoimento.

Posteriormente, o ministro André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF sob a acusação de monitoramento ilegal do magistrado. Embora a decisão tenha sido revertida por Edson Fachin, o episódio elevou a tensão entre Mendonça e a cúpula da polícia, o que pode impactar as negociações. Em relação à PGR, o cenário também é incerto após a circulação de mensagens e a divulgação, no sábado (19), de uma foto que mostra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, fumando charutos ao lado de Daniel Vorcaro em um evento em Londres no ano de 2024. A assessoria da PGR informou que o evento contou com a presença de diversas autoridades e que Gonet já havia admitido publicamente sua participação.

Pedido de revogação de prisão

Diante da instabilidade nos inquéritos, a defesa do ex-dono do Banco Master apresentou um pedido ao STF, em 18 de outubro, para revogar a prisão preventiva de Vorcaro, endereçando o pleito ao presidente Edson Fachin. Os advogados apontaram que a condução dos procedimentos da operação Compliance Zero está indefinida e argumentaram que o prazo de 90 dias para a revisão da prisão já se esgotou, visto que a detenção inicial ocorreu em 4 de março de 2026 e o segundo ciclo encerrou-se em 31 de agosto.

A defesa sustentou que houve um esvaziamento dos fundamentos que motivaram a prisão, como intimidações, valores localizados na conta do pai de Vorcaro, poder econômico e influência política, e pediu que a Suprema Corte reavalie a detenção. A crise no STF e a indefinição da relatoria e competência — debatida em questão de ordem suspensa por pedido de vista na sessão plenária de 15 de setembro de 2026 — são vistas pelos advogados como uma oportunidade favorável para que o ex-banqueiro deixe a prisão.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/delacao-de-vorcaro-fica-em-banho-maria-em-meio-a-crise-do-stf/

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