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Economia

Demanda por alimentos impulsiona alta da indústria de embalagens em 2026

Aumento na demanda por alimentos e exportações elevam a projeção de crescimento da indústria brasileira de papel e embalagens para 1,9% em 2026.

Redação•16 de set. de 2026, 08:33
Demanda por alimentos impulsiona alta da indústria de embalagens em 2026
Imagem: site

Demanda por alimentos impulsiona alta da indústria de embalagens em 2026

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O setor brasileiro de papel e embalagens registrou um desempenho superior ao esperado no primeiro semestre de 2026. O avanço levou a Empapel a revisar sua projeção de expansão para 1,9% neste ano, superando a estimativa de 0,6% divulgada pela FGV no final de 2025. Segundo o presidente-executivo da entidade, José Carlos da Fonseca Junior, o resultado gerou um otimismo moderado para os próximos meses.

O crescimento é impulsionado tanto pelo consumo interno quanto pelo mercado externo, visto que parte da produção nacional de embalagens é direcionada a itens de exportação, como carnes e frutas. O executivo destacou que a antecipação de embarques de carne para a China, motivada pela definição de uma cota anual de importação por parte do país asiático, concentrou as exportações no início do ano e alavancou o setor.

Dados do Índice Brasileiro de Papelão Ondulado (IBPO) apontam que mais de 60% da produção capturada está voltada para o segmento alimentício, que liderou a demanda no período. Os alimentos respondem por 51,21% do índice, enquanto os hortifrútis representam 8,3%, além da participação da avicultura. Para a associação, a demanda por alimentos e bens de consumo não duráveis permanece recorrente, impulsionando recordes recentes na expedição de papelão ondulado, apesar da renda pressionada das famílias.

Por outro lado, a entidade alerta para fatores que podem frear o consumo doméstico, como o endividamento das famílias e os patamares elevados das taxas de juros, que reduzem o poder aquisitivo. Mudanças recentes nos hábitos de consumo, impulsionadas pelo crescimento das apostas esportivas e pelo uso de medicamentos para perda de peso, também entram no radar de economistas por alterarem a demanda por produtos.

Cenário internacional e a influência da China

No cenário externo, a China continua como um dos principais mercados para a cadeia de celulose e papel, embora a Empapel pondere que o ritmo de crescimento da demanda chinesa não deve ser assumido como perpétuo. O país tem ampliado sua própria capacidade produtiva, aumentado áreas de florestas plantadas e consolidado sua indústria para diminuir a dependência externa. Ainda assim, o Brasil mantém relevância comercial com destinos nos Estados Unidos, na Europa, na América Latina e em países asiáticos.

O Brasil consolidou-se como o maior exportador mundial de celulose, ocupando também a sexta posição entre os maiores produtores de papel ondulado e a sétima na produção geral de papéis. De acordo com o presidente-executivo, essa vantagem competitiva decorre de décadas de investimentos em ciência, tecnologia e melhoramento genético do eucalipto, além do uso de mosaicos florestais que combinam áreas plantadas e vegetação nativa preservada.

Investimentos e desafios regulatórios

A expansão internacional sustentou um longo ciclo de investimentos na indústria. Embora a carteira de projetos tenha alcançado patamares superiores a R$ 100 bilhões em anos anteriores, o setor movimenta atualmente entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões em novas iniciativas de celulose e papel em várias regiões do país.

Entre os riscos monitorados pelo setor estão o avanço do protecionismo internacional e a concorrência com produtos importados a preços reduzidos, a exemplo do papel cartão. O cenário foi impactado por tarifas comerciais adotadas durante o governo de Donald Trump, período em que a celulose brasileira obteve exceção nas tarifas americanas devido a características específicas da fibra curta de eucalipto e parcerias de longo prazo no segmento de papéis tissue.

A implementação de normas ambientais rigorosas pela União Europeia, como a legislação contra o desmatamento, também representa um desafio. A entidade aponta que o modelo produtivo brasileiro baseia-se em florestas plantadas, diferindo do padrão de regiões do Hemisfério Norte, o que exige cautela para evitar que regras ambientais gerem barreiras protecionistas. Apesar das incertezas, o setor planeja continuar investindo em tecnologia e inovação.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/demanda-por-alimentos-impulsiona-industria-de-embalagens-em-2026/

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