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Deputados democratas dos EUA questionam governo Trump sobre eleições no Brasil

Deputados democratas dos EUA enviaram carta ao Departamento de Estado cobrando respostas sobre supostas interferências do governo Trump nas eleições do Brasil.

Redação•08 de out. de 2026, 12:30
Deputados democratas dos EUA questionam governo Trump sobre eleições no Brasil
Imagem: site

Deputados democratas dos EUA questionam governo Trump sobre eleições no Brasil

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Um grupo de dez deputados democratas da comissão de relações internacionais da Câmara dos Estados Unidos voltou a questionar, na quarta-feira 7, suspeitas de interferência do governo de Donald Trump nas eleições presidenciais do Brasil. A iniciativa foi liderada pelo deputado nova-iorquino Gregory Meeks, membro sênior da comissão, e pela californiana Sydney Kamlager-Dove, copresidente do caucus do Congresso sobre o Brasil. Os parlamentares exigiram respostas do Departamento de Estado, chefiado pelo secretário Marco Rubio, sobre o que classificaram como um esforço contínuo de Washington para influenciar o pleito brasileiro.

Antes do primeiro turno — que terminou com a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 47% dos votos, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —, parlamentares da Câmara já haviam enviado um alerta a Rubio denunciando supostas interferências. Posteriormente, senadores também cobraram da gestão Trump garantias de aceitação do resultado da eleição por meio de outro documento enviado ao secretário de Estado, expressando preocupação com ações que ameaçariam a aliança estratégica bilateral.

Críticas a reuniões, sanções e nomeações

Na nova carta enviada nesta quarta-feira, os congressistas democratas detalharam uma sucessão de episódios que geraram alertas. Entre eles, citaram encontros de autoridades do Departamento de Estado com Jair Bolsonaro, a imposição de sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), descrita como uma tentativa sem sucesso de proteger o ex-presidente Bolsonaro, e declarações públicas que colocam em dúvida a integridade do processo eleitoral brasileiro.

“A administração Trump buscou repetidamente influenciar os assuntos políticos internos do Brasil de maneiras que ameaçam as instituições democráticas e os processos eleitorais do país”, apontaram os parlamentares no documento, acrescentando temer que as medidas do Departamento de Estado tenham como objetivo minar a relação diplomática e fabricar uma crise a poucos meses da votação.

O texto destaca ainda a nomeação de Darren Beattie como “enviado para o Brasil” do Departamento de Estado em fevereiro. De acordo com os deputados, trata-se de um indivíduo com histórico de retórica racista e incendiária, que já havia sido demitido da Casa Branca durante a gestão Trump após discursar em um evento com a presença de nacionalistas brancos. O grupo reforçou que os vínculos entre Washington e Brasília devem se basear no respeito às escolhas democráticas brasileiras, sem interferência em favor de um candidato preferido pelo presidente americano.

Revogação de visto e declaração de ex-agente

O grupo de parlamentares também condenou a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Para os legisladores, a medida representa uma escalada desnecessária que fragiliza os laços bilaterais e compromete os interesses dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, além de afastar o Brasil e aproximá-lo de adversários americanos.

No mesmo período, um ex-agente da CIA, John Kiriakou, declarou na rede social X (antigo Twitter) que existem evidências de que os Estados Unidos estariam interferindo no pleito brasileiro para favorecer Flávio Bolsonaro. Kiriakou afirmou ter subestimado o peso do populismo na disputa e pontuou que o serviço de inteligência americano no exterior estaria atuando de forma potencial no processo eleitoral.

Fonte: https://veja.abril.com.br/mundo/democratas-voltam-a-falar-em-interferencia-americana-nas-eleicoes-do-brasil/

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