A situação eleitoral em São Paulo acendeu o alerta vermelho na campanha do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de 2026. A duas semanas da votação, os desempenhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Haddad no maior colégio eleitoral do país geram preocupação e pessimismo na legenda.
Em 2022, Haddad obteve 45% dos votos e foi ao segundo turno contra Tarcísio de Freitas, desempenho considerado decisivo para a vitória nacional de Lula. No entanto, o cenário atual mostra o ex-ministro 20 pontos atrás do governador, que registra 49% das intenções de voto e ameaça vencer a disputa já no primeiro turno, em 4 de outubro. Além disso, as pesquisas indicam que Lula está atrás de Flávio Bolsonaro na disputa no estado.
O quadro é agravado pela expectativa de vitórias menos expressivas de Lula no Nordeste, o que torna o desempenho em São Paulo — responsável por 21% dos eleitores — ainda mais estratégico. A campanha de Haddad enfrenta críticas internas de aliados e militantes devido a uma suposta postura de derrota, foco em eventos voltados para eleitores já convertidos e dificuldades para avançar no interior do estado, onde Tarcísio chega a 57% das intenções de voto na região oeste.
Pesquisas recentes do Real Time Big Data apontam que Haddad vence na capital e empata na região metropolitana, mas perde terreno no interior. Em muitas cidades, eleitores declaram voto em Lula, mas preferem Tarcísio para o governo estadual, fenômeno apelidado de "TarLula". O impacto negativo também atingiu as candidaturas ao Senado das ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet. Levantamento do Datafolha mostra um empate quádruplo entre Marina (13%), Tebet (13%), André do Prado (11%, do PL) e Guilherme Derrite (10%, do PP).
Diante do cenário desfavorável, a direção nacional do PT realizou cortes nos repasses financeiros para a campanha paulista, obrigando a equipe a demitir integrantes do marketing e reduzir o impulsionamento de conteúdos. Questionado, o marqueteiro Otávio Antunes confirmou a ordem para cortar despesas e demitir funcionários. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que o PT transferiu 15 milhões de reais do fundo eleitoral para Haddad, dos quais 12,28 milhões já foram gastos, com cerca de 53% destinados à agência Urissanê Comunicação, pertencente a Antunes.
Para tentar reagir, a campanha tem priorizado gastos nas redes sociais para se descolar da crise envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e pivô de crise no STF. Em vídeo publicado em 12 de setembro, Haddad afirmou ter recusado contato com Vorcaro e que sua equipe já acompanhava o caso. Enquanto isso, o PT lida com a possibilidade de mais uma derrota na corrida pelo governo paulista, berço histórico da legenda.
