O diagnóstico de câncer de pulmão do papa Leão XIV, confirmado na terça-feira (13), gerou apreensão e incerteza no mundo católico. O pontífice passou por uma cirurgia para a remoção de um lobo do lado direito do órgão e, atualmente, recupera-se em um hospital. Devido à internação, todas as audiências do papa foram canceladas até o dia 20 de outubro.
Na quarta-feira (14), milhares de fiéis reuniram-se na Praça de São Pedro, no Vaticano, para uma missa que seria presidida pelo pontífice. A celebração foi assumida por outro alto dignitário da Igreja Católica. O arcebispo Tim Costelloe, presidente da Conferência Episcopal Australiana, classificou a notícia como inquietante. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, declarou antes da confirmação do diagnóstico que estava preocupado e comparou a situação a uma notícia inesperada.
Eleito há menos de 18 meses, aos 69 anos, Leão XIV era visto no Vaticano como um líder que teria um longo pontificado pela frente devido à sua relativa juventude. Contudo, o novo quadro de saúde altera as expectativas. A família do papa possui histórico de câncer: seu irmão mais velho, Louis Prevost, trata a doença desde 2017; sua mãe, Mildred, faleceu em decorrência da enfermidade em 1990; e seu pai, Louis, morreu vítima de câncer de cólon e de uma doença cardíaca em 1997.
Médicos acreditam que o câncer foi removido durante o procedimento cirúrgico, embora novos exames sejam necessários. Os planos a curto prazo permanecem incertos, incluindo a viagem programada para a América Latina entre 6 e 17 de novembro, que prevê passagens por Uruguai, Argentina e Peru, com um itinerário de 14 voos e 50 eventos. Até o momento, nenhuma alteração nas datas foi oficialmente anunciada.
Antes da cirurgia, Leão XIV nomeou o cardeal Luis Antonio Tagle como decano do Colégio dos Cardeais. Tagle, de 69 anos, presidiu a missa na Praça de São Pedro na quarta-feira em substituição ao papa. O pontífice também recebeu manifestações de apoio público, incluindo declarações do padre Joseph Farrell, superior da ordem religiosa agostiniana.
Apesar da preocupação, funcionários da administração central indicam que a Igreja continuará funcionando por meio de seus dicastérios e que o papa poderá governar a partir do hospital. Especialistas e conhecedores da trajetória do pontífice ressaltam sua determinação, embora apontem a possibilidade de redução de compromissos futuros diante da fragilidade humana.
