A Rússia promoveu operações de sabotagem direcionadas a companhias dinamarquesas encarregadas de fornecer suprimentos à Ucrânia. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (7) por Josefine Christensen, analista principal do PET (Serviço de Segurança Nacional e Inteligência da Dinamarca), durante evento sobre segurança interna realizado em Copenhague.
Segundo a representante do serviço de inteligência dinamarquês, a mudança tática ocorreu após Moscou concluir que métodos anteriores não surtiram o efeito desejado de conter o apoio militar ocidental ao país em conflito. A especialista classificou a situação como uma escalada relevante na campanha de guerra híbrida russa.
Christensen destacou que, embora o governo russo mantenha o controle político sobre tais operações, a ousadia operacional tem crescido. De acordo com a analista, o alvo agora são produções com impacto direto na linha de frente, incluindo a fabricação de armamentos. Ela apontou ainda que o Ministério da Defesa da Rússia divulgou em abril uma lista com supostos fabricantes europeus de drones e componentes que seriam potenciais alvos militares.
O PET informou que o recrutamento para essas ações é feito por meio de redes sociais, como o Telegram, utilizando intermediários sem treinamento prévio, a exemplo de dependentes químicos e pessoas em situação de rua em busca de recursos rápidos. As tarefas iniciais costumam envolver reconhecimento e fotografias, avançando para a sabotagem.
Por outro lado, a embaixada da Rússia em Copenhague rejeitou as acusações nesta quarta-feira, classificando-as como infundadas e negando repetidamente qualquer participação russa em atos de sabotagem ou guerra híbrida.
Historicamente, o serviço de inteligência de defesa da Dinamarca já havia apontado no mês passado a probabilidade de Moscou intensificar ataques híbridos contra o Ocidente. O alerta ocorreu após a Alemanha responsabilizar a Rússia por uma tentativa de ataque com drone no Aeroporto de Leipzig/Halle em agosto. Além disso, em setembro de 2025, a primeira-ministra Mette Frederiksen classificou como um ataque híbrido a perturbação do tráfego aéreo por drones em seis aeroportos dinamarqueses, incluindo o de Copenhague, antes de uma cúpula da União Europeia.
