A chegada de dois novos pandas gigantes aos Estados Unidos, batizados de Ping Ping e Fu Shuang, recolocou em evidência a chamada diplomacia panda em um momento marcado pela disputa tecnológica e de inteligência artificial entre americanos e chineses. O líder da China, Xi Jinping, definiu os animais como mensageiros da amizade entre chineses e americanos.
Especialistas comparam a atual corrida por uma inteligência artificial superior a períodos históricos como a Guerra Fria, a corrida espacial e o desenvolvimento da bomba atômica. Em encontro recente em Washington, que reuniu bilionários do setor tecnológico, líderes dos dois países discutiram a rivalidade, mas o principal anúncio de repercussão global acabou sendo o envio do casal de pandas.
O uso de pandas nas relações internacionais remonta a gestos históricos, como a doação feita ao Zoológico do Bronx, em Nova York, antes do Partido Comunista chegar ao poder na China. Posteriormente, a prática foi restrita a aliados socialistas por Mao Tsé-Tung, retomada com os Estados Unidos em 1972 após a visita de Richard Nixon e, na era de Deng Xiaoping, convertida em modelo de aluguel comercial por zoológicos globais. Atualmente, os contratos duram cerca de dez anos, com custos que podem atingir um milhão de dólares anuais por casal.
Conforme aponta Thiago de Aragão, especialista em relações China-América e CEO da Arko Internacional, o envio de um panda funciona como um gesto de amizade, mas a retirada dos animais pode ocorrer caso a confiança seja quebrada, assemelhando-se à convocação de embaixadores durante crises diplomáticas. O mecanismo já foi aplicado anteriormente em meio a atritos políticos envolvendo autoridades americanas e japonesas e a questão de Taiwan.
Durante a recente visita a Washington, Xi Jinping reforçou a posição de que Taiwan é território chinês, principal linha vermelha apontada nas negociações bilaterais. Apesar dos alertas sobre os riscos da corrida tecnológica, os dois países firmaram o compromisso de manter canais de comunicação caso ocorram falhas nos sistemas. Para especialistas, a diplomacia panda atua como um sinalizador de estabilidade e de disposição para evitar a escalada de conflitos entre as superpotências.