A corrida pelas duas vagas de São Paulo no Senado federal chega à reta final com quatro candidatos tecnicamente empatados de acordo com as pesquisas de intenção de voto mais recentes, além de uma intensa disputa paralela pelo voto do campo da direita.
Os levantamentos apontam Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) próximos nas preferências do eleitorado, enquanto Ricardo Salles (Novo) busca se manter na concorrência. A última pesquisa Datafolha, divulgada em setembro, colocou Marina e Tebet empatadas com 13% das intenções de voto cada. Em seguida apareciam André do Prado, com 11%, e Derrite, com 10%. Salles registrou 5%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Já na pesquisa Quaest anterior, Marina e Derrite pontuavam com 14%, Tebet com 12%, Prado com 7% e Salles com 3%. Como há duas cadeiras em disputa, os grupos políticos intensificaram as estratégias na reta final da campanha.
Os apoios políticos dividem o cenário eleitoral paulista. Marina Silva e Simone Tebet contam com o apoio formal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por outro lado, Guilherme Derrite e André do Prado têm o respaldo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Estratégias e propostas no horário eleitoral
No horário eleitoral da televisão, exibido na segunda-feira (21), os candidatos detalharam diferentes propostas e abordagens para atrair o eleitorado:
- Guilherme Derrite: Apareceu ao lado do governador Tarcísio de Freitas e associou sua campanha às realizações da segurança pública estadual. Resgatou sua experiência como policial e bombeiro, mencionou a proteção às pessoas, destacou seu papel como relator do PL Antifacção no Congresso e citou iniciativas contra a violência contra a mulher.
- André do Prado: Também apostou na associação com Tarcísio. A peça de sua campanha iniciou com críticas indiretas do governador a postulantes sem histórico político no estado. Prado defendeu que São Paulo arrecada muitos impostos e não tem o retorno proporcional de recursos de Brasília, além de ressaltar sua trajetória na Assembleia Legislativa como aliado do governador no Legislativo paulista.
- Marina Silva: Focou a propaganda nas mudanças climáticas e em seus reflexos nos municípios de São Paulo, mencionando episódios de alagamentos e desabamentos e defendendo que o Estado atue de forma preventiva e não apenas após as tragédias. Lembrou sua gestão no Ministério do Meio Ambiente e prometeu mais recursos e planejamento para cidades vulneráveis a eventos extremos.
- Simone Tebet: Adotou uma linha política ao abordar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e defender uma reforma do Judiciário. A candidata também tratou do combate à corrupção, argumentando que as transformações na política devem vir de quem atua dentro dela.
O candidato Ricardo Salles não possui tempo de propaganda eleitoral na televisão.
Confrontos na direita e debates
Nas redes sociais, a rivalidade entre André do Prado e Ricardo Salles se intensificou após o debate promovido por Folha e UOL na segunda-feira (21), onde ambos protagonizaram um dos principais embates sobre quem realmente representa a direita na corrida ao Senado.
Após o encontro, Prado publicou vídeos direcionados a Salles. Em um deles, utilizou um pronunciamento antigo do ex-presidente Jair Bolsonaro — no qual críticas são feitas a candidatos ao Senado por São Paulo que desrespeitem as escolhas dele e de Tarcísio, embora Salles não seja citado pelo nome. Em outro vídeo, Prado resgatou episódios e declarações da trajetória política anterior de Salles.
Por sua vez, Ricardo Salles tem direcionado ataques a Prado por sua ligação com o Centrão e recuperado momentos do passado do presidente da Assembleia Legislativa, incluindo antigos apoios a candidatos do PT.
O debate também registrou confrontos diretos entre Salles e Prado por cerca de oito minutos, além de discussões entre Derrite e Tebet sobre segurança pública, o STF e o PL Antifacção. Marina Silva e Simone Tebet também responderam a questionamentos de oponentes relacionados à violência contra a mulher e criticaram o que classificaram como ataques machistas durante a disputa.
