A partir de 1º de outubro, os planos de saúde passam a ser obrigados a oferecer o DIU ou o SIU hormonais para pacientes diagnosticadas com endometriose. A determinação da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), publicada na última terça-feira (22), aplica-se a mulheres que possuem a doença e apresentam contraindicação ou não adesão aos Contraceptivos Orais Combinados (COC).
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, totalizando cerca de 190 milhões de pacientes. Entre os sintomas mais comuns estão dor intensa durante a menstruação, sangramento menstrual intenso, dor pélvica crônica que persiste após o término do ciclo, infertilidade, além de inchaço abdominal e náusea.
Benefícios e atuação do dispositivo
O ginecologista e obstetra Dr. Marcos Tcherniakovsky aponta que os métodos contraceptivos são amplamente utilizados no tratamento da condição, sendo o DIU hormonal uma alternativa relevante para pacientes que não se adaptam às opções orais ou injetáveis. O médico, que atua como diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), explica que o dispositivo promove o afinamento do endométrio sem a interferência do estrogênio, hormônio estimulante do crescimento do órgão, o que reduz as dores locais.
A literatura médica indica que o DIU é eficaz no tratamento da dor pélvica, na redução do desconforto durante a atividade sexual, na prevenção da recidiva da endometriose no pós-operatório e apresenta eficácia equivalente a outros medicamentos. O método, contudo, trata os sintomas e melhora a qualidade de vida ao controlar a menstruação e reduzir as dores, mas não cura a doença de forma completa. O ciclo menstrual é considerado um fator desfavorável, pois o crescimento e desprendimento do tecido uterino intensificam a inflamação.
Segundo o especialista, o modelo Mirena é o mais indicado devido à quantidade de hormônios e progesterona capaz de suspender a menstruação de maneira mais eficaz, embora a escolha dependa da adaptação individual de cada paciente. O mecanismo de ação baseia-se na liberação contínua de pequenas doses de progestagênio na cavidade uterina, inativando o endométrio, reduzindo o fluxo e diminuindo a produção de prostaglandinas, substâncias inflamatórias ligadas às cólicas.
Mudanças na cobertura e implantação
Embora o DIU hormonal já integrasse o rol da ANS, a cobertura para pacientes com endometriose e contraindicações deixa de ser voluntária para se tornar obrigatória, abrangendo tanto o dispositivo quanto o procedimento de inserção. O advogado e especialista em Direito da Saúde, Vinícius Morais, destaca que a medida elimina a necessidade de processos judiciais demorados. Com a nova diretriz, a operadora de saúde passa a ter o ônus de justificar eventuais recusas.
Em relação à aplicação, o Dr. Marcos Tcherniakovsky esclarece que o dispositivo pode ser inserido no consultório. No entanto, para pacientes que enfrentam dores constantes, a recomendação é realizar o procedimento em ambiente hospitalar com o auxílio de sedação para evitar complicações.
