O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio "total e irrestrito" ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para as eleições marcadas para o dia 27 de outubro, que definirão o novo governo do país.
Em publicação realizada na rede social Truth Social, Trump elogiou Netanyahu, classificando-o como um grande líder em tempos de guerra e afirmando que ele tem enfrentado grande pressão e oposição sem sucumbir. O presidente americano também destacou a atuação de Netanyahu no conflito contra o Irã e alertou que, caso Israel escolha outro líder, os Estados Unidos teriam de realizar o trabalho por conta própria, algo que afirmou não ter intenção de fazer.
Pouco tempo depois, Netanyahu utilizou a rede social X para agradecer ao presidente dos Estados Unidos, declarando que ambos concluirão a missão em conjunto. Esta é a primeira vez que Trump realiza um endosso público direto ao premiê nas eleições parlamentares deste mês. O partido de Netanyahu, o Likud, busca manter o controle do Parlamento e enfrenta a concorrência de legendas como o Yashar, liderado por Gadi Eisenkot, e o Beyachad, de Naftali Bennett e Yair Lapid.
Impacto eleitoral incerto e pesquisas de opinião
Analistas apontam que o apoio de Trump apresenta efeitos variados entre o eleitorado israelense. Segundo a analista de internacional Fernanda Magnotta, o endosso pode fortalecer o candidato junto à direita e a setores que valorizam os laços com Washington, mas dificilmente reorganizará uma eleição voltada a temas domésticos, como segurança e a duração dos conflitos. A professora Karina Calandrin, do Ibmec-SP, acrescenta que o peso da manifestação pode oscilar conforme a percepção do eleitor sobre a relação bilateral.
Relatos indicam que adversários políticos de Netanyahu, como Naftali Bennett, Gadi Eisenkot e Yair Lapid, teriam solicitado ao círculo de Trump que mantivesse a neutralidade, demonstrando que a oposição leva a influência americana a sério. Dados do Israel Democracy Institute apontam variações na percepção dos eleitores judeus sobre Trump em relação à segurança de Israel, com índices que caíram de 63% em novembro de 2024 para 41% em maio de 2026, enquanto o apoio entre os árabes israelenses retornou ao patamar de 59% no mesmo período.
Histórico de alianças e divergências estratégicas
A relação entre os dois líderes acumula momentos de proximidade e atritos recentes. Desde o retorno de Trump à presidência, Netanyahu visitou os Estados Unidos em sete ocasiões. No entanto, o relacionamento também passou por episódios de tensão em meio a divergências sobre o encerramento das hostilidades no Oriente Médio e acordos diplomáticos envolvendo o Irã.
Apesar dos atritos e de visões distintas sobre o timing estratégico dos conflitos, os Estados Unidos mantêm o apoio diplomático e financeiro a Israel, incluindo planos para a venda de um pacote de munições avaliado em US$ 2,8 bilhões.
