De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal americano The New York Times, o papel do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, transformou-se na principal incógnita sobre o pleito presidencial brasileiro. A publicação aponta que o Brasil tem implementado ações para blindar o sistema eleitoral de uma possível interferência norte-americana, enquanto se intensifica a disputa final entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O jornal classifica o processo eleitoral brasileiro como o maior teste na América Latina para a estratégia de Trump de expandir a hegemonia dos Estados Unidos no hemisfério ocidental e estreitar laços com administrações e correntes de direita. Desde o retorno do republicano à Casa Branca, candidatos conservadores venceram os sete pleitos presidenciais anteriores na região, buscando proximidade com Washington. Nesse contexto, o periódico aponta que o Brasil figura como o teste final mais relevante para essa influência.
Embora Trump não tenha declarado apoio formal a nenhum postulante ao cargo, o New York Times relata que a administração americana adotou ações que podem beneficiar indiretamente Flávio Bolsonaro. Entre as iniciativas citadas estão a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas — pauta defendida pelo senador —, além de sanções contra autoridades brasileiras, como a aplicação e posterior suspensão da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A lista de pressões mencionadas pelo jornal abrange ainda tarifas sobre produtos brasileiros, contestações sobre as urnas eletrônicas e investidas nas áreas de segurança e minerais estratégicos. Em março, durante sua participação no CPAC, evento da ultradireita realizado no Texas, Flávio Bolsonaro declarou que o Brasil pode se converter no aliado mais forte dos EUA na região ou em um antagonista, conforme o desfecho das urnas.
Apesar disso, o veículo pondera que a eficácia dessas manobras para favorecer o senador do PL é incerta. Conforme o texto, a estratégia pode gerar o efeito inverso e impulsionar a base de apoio a Lula, repetindo um movimento de reação anti-Trump observado em pleitos no Canadá, na Austrália e em outras localidades.
Reação institucional e monitoramento internacional
Frente a esse panorama, os serviços de inteligência brasileiros passaram a tratar a desinformação e a manipulação estrangeira em plataformas digitais como prioridade. Paralelamente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou novas diretrizes para combater fake news nas eleições, exigindo que corporações como Meta e Google apresentem estratégias de combate a materiais enganosos gerados por inteligência artificial.
O país também buscou respaldo externo para garantir a lisura do pleito. O New York Times relata que representantes diplomáticos de nações como Canadá, Japão, Austrália e integrantes da União Europeia mantêm conversas informais sobre possíveis respostas a tentativas de ingerência pós-eleição.
Adicionalmente, missões de observação internacional intensificaram o acompanhamento da disputa. A publicação aponta que o Centro Carter, organização independente sediada nos Estados Unidos, concordou em enviar especialistas ao Brasil em uma movimentação de última hora impulsionada por receios de interferência externa. Diversas fontes ouvidas pelo diário americano optaram pelo anonimato. A campanha de Flávio Bolsonaro e o Departamento de Estado dos EUA não responderam aos pedidos de posicionamento do jornal.
