O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuiu os protestos violentos na França à imigração. Em manifestação publicada na rede social Truth Social, Trump declarou que a chegada de pessoas procedentes de um contexto diferente e com ódio no coração foi responsável por destruir o país europeu, defendendo o fechamento imediato das fronteiras.
As manifestações na França já duram um mês. O movimento teve início em escolas de ensino médio situadas em subúrbios pobres ao norte de Paris, mobilizado inicialmente em apoio a professores em greve contra a escassez de recursos e funcionários nas escolas. Rapidamente, a pauta expandiu-se para abranger questões como custo de vida, desigualdade, gastos públicos, padrão de vida e serviços públicos.
No sábado (17), atos motivados pelo custo de vida e serviços públicos levaram milhares de pessoas às ruas em meio a confrontos violentos e disparos de gás lacrimogêneo pela polícia em várias cidades francesas. As autoridades da França contabilizaram, até o meio-dia, 140 protestos fora de Paris, mobilizando 32.800 pessoas. O Ministério do Interior registrou episódios de vandalismo em Marselha, além de ataques direcionados a prédios públicos, à imprensa e à polícia.
Em Paris, a presença policial intensificou-se no centro da cidade, cobrindo áreas como a Champs-Élysées e o Arco do Triunfo. Manifestantes usando coletes de alta visibilidade bloquearam vias, remetendo ao movimento dos “Coletes Amarelos” do mandato anterior do presidente Emmanuel Macron. Em Marselha, o prefeito relatou atos de vandalismo contra a prefeitura e confirmou o envio de reforços policiais após diálogo com o primeiro-ministro e o ministro do Interior.
A emissora BFMTV reportou que pelo menos cinco pessoas ficaram feridas em estado crítico em Paris, enquanto cerca de 100 pessoas foram detidas na região parisiense, majoritariamente sob a acusação de portar equipamentos de proteção proibidos. Uma manifestante de 19 anos, identificada como Lola, afirmou em Paris que a população luta contra o custo de vida insuportável, o preço elevado do combustível e em defesa de condições dignas de ensino.
O presidente Emmanuel Macron apelou por calma na sexta-feira (16). O mandatário enfrenta a reta final de seu mandato em meio a um cenário político fragmentado, forte pressão econômica e custos de endividamento do governo nos patamares mais altos dos últimos 20 anos, reflexo de esforços insuficientes para tranquilizar investidores quanto à redução da dívida pública.
