A ascensão dos drones no crime organizado
Uma operação realizada em outubro passado, nas favelas dos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, revelou um cenário alarmante: o uso de drones para lançar explosivos contra forças de segurança. O que antes parecia cena de zona de guerra, tornou-se uma realidade crescente na América Latina. De acordo com um relatório da organização não governamental ACLED, foram registrados cerca de 670 incidentes envolvendo drones armados desde 2018, com mais de 72% desses eventos concentrados entre janeiro de 2025 e agosto de 2026.
Da logística ao ataque
Inicialmente utilizados como "pombos-correio" para contrabandear itens para presídios no Brasil, os drones evoluíram para ferramentas de vigilância, logística, ataque, sinalização e coordenação. Especialistas da GI-TOC e do Crisis Group apontam que a transição de usos experimentais para operações estruturadas é notável no México, na Colômbia e no Brasil. No México, cartéis adaptam drones comerciais para transportar explosivos, enquanto na Colômbia, grupos como o ELN utilizam sensores térmicos para vigilância ininterrupta.
Reação das autoridades
Governos da região têm buscado contramedidas. No Brasil, a Polícia Civil do Rio criou a COANT para operações de inteligência. No México, o uso de sistemas a laser para abater dispositivos tem sido testado na fronteira com os EUA. Na Colômbia, há acordos para o uso de drones Reaper no monitoramento de narcotráfico. Contudo, a rápida disponibilidade dessas tecnologias no mercado digital torna o desafio regulatório complexo.
Impacto na população civil
O uso dessas aeronaves por grupos criminosos — e, em alguns casos, pelas próprias forças de segurança, como documentado no Haiti — tem gerado vítimas civis e medo. Relatórios indicam que o zumbido dos aparelhos tornou-se sinônimo de terror em comunidades locais, contribuindo para o deslocamento forçado de populações. Especialistas reforçam que não há uma solução única e que o combate a essa ameaça exige uma integração entre regulação, inteligência e cooperação internacional.
