A inflação brasileira registrou alta de 0,82% em setembro, conforme dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado acendeu o alerta para os impactos do fenômeno climático El Niño sobre os custos, com destaque para o grupo de alimentação e bebidas, que avançou 0,83% no período, revertendo o recuo de 0,34% verificado em agosto.
Em entrevista ao CNN Money, o economista Flávio Serrano apontou que o fenômeno climático é o principal destaque da leitura do índice. Segundo o especialista, o El Niño vem ganhando intensidade e deve se configurar como um episódio bastante forte, com desvio de temperatura em relação à média no Pacífico próximo a 3 graus ou mais.
“Provavelmente vai ser o recorde histórico para a diferença de temperatura naquela região”, afirmou.
Pressão nos alimentos deve persistir até fevereiro
A inflação de alimentos no domicílio chegou perto de 1% em setembro (0,96%), contrastando com as quedas registradas nos meses anteriores, que marcaram deflação de 1,14% em julho e recuo de 0,60% em agosto. Produtos como tomate e batata registraram altas superiores a 20% e 30%, respectivamente, refletindo intensa pressão sobre os itens in natura.
Serrano alertou que o cenário desfavorável deve continuar. “Toda essa parte de alimentação no domicílio deve ficar pressionada pelo menos até fevereiro do ano que vem por conta desses efeitos climáticos”, declarou.
Espaço para corte de juros, mas com cautela
Apesar da alta inflacionária, Flávio Serrano avalia que ainda existe margem para o Banco Central efetuar um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros. Contudo, o economista pontuou que o setor de serviços segue pressionado, variando entre 4,5% e 5% nas últimas leituras e alcançando 5,3% nos últimos 12 meses, o que sinaliza pressões também pelo lado da demanda.
- Comportamento do câmbio, que recuou de cerca de R$ 5,20 para próximo de R$ 5;
- Possível melhora nas tensões geopolíticas internacionais;
- Desaceleração da economia, que reduz o risco de contaminação do choque alimentar para outros preços.
Caso o ambiente externo e fiscal apresente condições favoráveis, Serrano avalia que o Banco Central poderá inclusive acelerar o ritmo de cortes nos encontros de março ou abril do ano seguinte. “O juro no Brasil é muito alto”, reforçou, acrescentando que um ajuste fiscal por parte do próximo governo é essencial para estender e eventualmente intensificar a flexibilização monetária.
