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Política

Eleição apática afasta eleitores e gera crise de representatividade, diz Trevisan

Apatia eleitoral e crise no STF deixam milhões de brasileiros sem representação, aponta análise do historiador Leonardo Trevisan.

Redação•21 de set. de 2026, 03:53
Eleição apática afasta eleitores e gera crise de representatividade, diz Trevisan
Imagem: site

Eleição apática afasta eleitores e gera crise de representatividade, diz Trevisan

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A apatia do eleitorado brasileiro em relação às eleições, a pouco mais de duas semanas do pleito, tem deixado milhões de cidadãos sem representação política, segundo análise de Leonardo Trevisan, historiador e professor de Relações Internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Durante participação no programa WW Especial, o especialista apontou que o debate público foi tomado pela recente crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com Trevisan, o destaque dado às trocas de acusações entre ministros e às revelações de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, acabou por colocar as eleições "para escanteio". O professor destacou que a desconfiança na Corte cresceu dez pontos percentuais, conforme pesquisa da Quaest, e que a insatisfação também se reflete nas redes sociais, onde a maioria das publicações apresenta críticas aos magistrados, segundo levantamento do colunista Renato Dolci com uma base de 8,9 milhões de posts.

O historiador criticou o cenário institucional ao apontar indícios de patrimonialismo. “Não vale a lei, não cumpre a lei”, declarou, mencionando valores específicos citados no contexto de críticas à atuação de figuras públicas. Esse panorama de instabilidade alimenta um sentimento generalizado de falta de representatividade entre o eleitorado, que encontra dificuldades para se identificar com o ambiente político atual.

A situação da Classe C e o fator digital

O problema da representatividade atinge fortemente os 108 milhões de brasileiros que compõem a Classe C, de acordo com dados citados por Trevisan a partir de levantamento de Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva. Esse contingente populacional viveu um período de otimismo no início do século XXI, impulsionado por marcos como o Plano Real, programas de transferência de renda como o Bolsa Família e a rápida expansão do crédito. No entanto, a crise econômica de 2014 interrompeu essa trajetória, resultando em uma onda de frustração e em descrença com o universo político.

O cenário é agravado pelas transformações trazidas pelo mundo digital nas últimas duas décadas. Dados do IBGE indicam que 95% dos domicílios no Brasil possuem acesso à internet, com o consumo de redes sociais alcançando 12 horas e 19 minutos semanais, enquanto os serviços de streaming de filmes e séries somam 11 horas e 28 minutos por semana.

Para Trevisan, a sociedade lida atualmente com a força e os impactos das ferramentas digitais sem que haja clareza sobre como gerundi-las. O professor conclui que a década atual apresenta semelhanças com o período dos anos 1930, impulsionada não apenas pelo ressurgimento de ameaças de extrema direita em diversas regiões do mundo, mas também pelo contexto de instabilidades estruturais.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/trevisan-eleicao-apatica-deixa-milhoes-de-brasileiros-sem-representacao/

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