Dois dias após a realização do primeiro turno das eleições gerais no Brasil, os candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram a disputa pelo apoio das siglas que compõem o Centrão. O cenário aponta para divergências internas e a tendência de racha nessas legendas.
O Republicanos ilustra bem o impasse. A legenda conta com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que venceu a reeleição no estado e já se reuniu com Flávio Bolsonaro, integrando a campanha do candidato do PL no segundo turno. Os dois têm encontro marcado nesta terça-feira, 6, com Ronaldo Caiado (PSD) para buscar apoios. O partido também tem em seus quadros o governador de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, que apoiou Flávio no primeiro turno. Por outro lado, o Republicanos abriga o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Paraíba), que esteve ao lado de Lula na primeira etapa do pleito.
Ao comentar o encerramento do primeiro turno, Hugo Motta declarou: “Para o segundo turno, faço um apelo para que sigamos com civilidade e sem violência, tendo o futuro do Brasil como principal preocupação. A Câmara dos Deputados é a Casa do Povo e, independentemente dos resultados, seguirá cumprindo o seu papel inegociável de representar a população, respeitando a Constituição e dialogando por um país melhor”.
Diante das divisões regionais e dos impasses partidários, a alternativa avaliada pelas legendas é liberar os filiados na definição de seus apoios.
Mesmo após a agenda com Caiado nesta terça-feira, 6, o PSD manteve a diretriz de descentralização. Gilberto Kassab, principal cacique da sigla, afirmou: “Diante da diversidade de cenários eleitorais que tivemos nos Estados, em que as instâncias estaduais do PSD tiveram liberdade para construir suas alianças, a direção nacional entende como natural manter esta diretriz neste segundo turno”.
A federação formada pelo União Brasil e pelo PP também registra divisões entre os apoios a Flávio e Lula, embora a expectativa interna aponte que a maioria dos correligionários deva marchar com o candidato do PL.
No MDB, a direção optou por manter a postura de neutralidade oficial adotada no primeiro turno. Baleia Rossi, presidente da sigla, explicou: “Essa decisão de não ter candidato à Presidência da República e nem a vice fez com que cada líder do partido pudesse tomar a sua posição já no primeiro turno. Todos se manifestaram e isso vai permanecer agora, porque é uma liberdade que o partido entendeu para manter uma unidade nacional”.
Além de buscarem o apoio de ex-concorrentes à Presidência que disputaram o primeiro turno — como Ronaldo Caiado, Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) —, os dois presidenciáveis finalistas buscam engajar os eleitores que se absteram no último domingo. No total, a abstenção alcançou 33 milhões de eleitores, o equivalente a 21,6% do eleitorado.
