As eleições de Meio de Mandato (Midterms) nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro de 2026, definem se o Partido Republicano manterá o controle do Congresso ou se os democratas conquistarão a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. Atualmente, os republicanos detêm maiorias estreitas em ambas as Casas, e a oposição democrata precisa de um ganho líquido de quatro cadeiras em cada uma delas para assumir o poder.
Segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro de 2026, a popularidade do presidente Donald Trump atingiu o menor nível já registrado, caindo para 31% de aprovação. O cenário eleitoral é moldado principalmente pela frustração dos eleitores com o custo de vida, por uma acirrada disputa sobre a imigração e pela forte centralização da figura de Trump na reta final da campanha, com comícios programados em estados como Flórida, Iowa, Michigan e Texas.
Custo de vida
O custo de vida foi apontado por metade dos eleitores registrados na pesquisa Reuters/Ipsos como o fator mais importante na decisão de voto. Os participantes destacaram despesas domésticas como saúde, gasolina, alimentação e moradia como prioridades para a atuação parlamentar.
- Combustíveis: Os preços da gasolina dispararam após ataques militares conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em fevereiro de 2026. Segundo a American Automobile Association (AAA), o preço médio nacional da gasolina é de US$ 4,28 (US$ 1,20 a mais que no ano anterior), enquanto o diesel custa em média US$ 6,32 (aumento de US$ 2,70).
- Alimentação e Moradia: Os custos com mantimentos subiram 1,8% no último ano, conforme dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. Já os preços das residências registraram alta de 2,1%, segundo a Agência Federal de Financiamento Imobiliário. Um projeto de lei bipartidário sobre habitação foi aprovado no início de 2026, tornando-se lei sem a assinatura de Trump.
- Saúde e Impostos: A principal conquista legislativa republicana foi a prorrogação de um corte de impostos que reduziu em cerca de US$ 1 trilhão os gastos com o Medicaid e outros programas de saúde. No ano anterior, democratas tentaram sem sucesso prorrogar subsídios de saúde prestes a expirar.
Imigração
Dados preliminares do Departamento de Segurança Interna indicam uma queda de 95% nas detenções de imigrantes na fronteira sudoeste em comparação com o governo de Joe Biden, sem nenhuma liberação pela Patrulha de Fronteira durante todo o ano fiscal. No entanto, confrontos fatais com agentes federais no Maine, em Minnesota e no Texas geraram forte repercussão. A reação à morte de dois cidadãos norte-americanos em Minnesota levou candidatos democratas a posições mais à esquerda, com pedidos de impeachment da então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e a defesa da abolição do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
O financiamento do setor gerou impasses que forçaram os republicanos a aprovar unilateralmente um projeto de US$ 70 bilhões para o ICE e a Patrulha de Fronteira. Além disso, autoridades federais realizaram uma operação na residência da deputada federal democrata Ilhan Omar, em Washington, gerando ampla condenação da oposição. Uma fonte informou à Reuters que a investigação poderia ter como objetivo retirar a cidadania norte-americana da parlamentar e deportá-la.
Outros temas e disputas estaduais
Assuntos como inteligência artificial, data centers, criptomoedas, aborto e Israel também influenciam o pleito em disputas específicas:
- Ohio: O candidato democrata Sherrod Brown rotulou o senador republicano Jon Husted como o rosto dos data centers. O super PAC de criptomoedas "Defend American Jobs" gastou mais de US$ 46 milhões para reeleger Husted.
- Maine: A candidata democrata Troy Jackson busca votos relembrando a atuação da senadora republicana Susan Collins na confirmação de Brett Kavanaugh para a Suprema Corte, que posteriormente revogou o direito federal ao aborto. Collins concorre pela primeira vez desde que o tema passou a ser regulado pelos estados.
- Michigan: O candidato republicano Mike Rogers indicou aceitação de auxílio de um super PAC pró-Israel que investiu mais de US$ 30 milhões apoiando a deputada democrata Haley Stevens em primária e que atua contra Abdul El-Sayed, adversário de Rogers na eleição geral. Trump também declarou apoio à reeleição do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
