NewsHub
Mundo

Eleições em Israel: guerra inacabada com o Irã define o pleito no Knesset

Eleições parlamentares em Israel ocorrem em 27 de outubro sob forte influência do impasse na guerra inacabada contra o Irã.

Redação•20 de out. de 2026, 12:19
Eleições em Israel: guerra inacabada com o Irã define o pleito no Knesset
Imagem: site

Eleições em Israel: guerra inacabada com o Irã define o pleito no Knesset

Ouça esta matéria em voz alta

Israel se prepara para realizar eleições parlamentares na próxima terça-feira, 27 de outubro, em um cenário marcado pelo impasse em torno da guerra contra o Irã. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro em uma ação conjunta com os Estados Unidos, deixou milhares de mortos em território iraniano — incluindo o então líder supremo Ali Khamenei. Em resposta, as Forças Internas e Armadas do Irã lançaram ofensivas que resultaram em mais de dez mortes em Israel e em bombardeios a países do Golfo, além do fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o fluxo global de petróleo.

Apesar da ausência atual de ataques diretos entre as nações, a tensão persiste com ações pontuais na rota controlada pelo regime iraniano. Os governos de Benjamin Netanyahu e Donald Trump não alcançaram as metas centrais estipuladas para o conflito: o fim do programa nuclear persa (que Teerã mantém e afirma ter fins pacíficos), a destruição do programa de mísseis e a interrupção do apoio a grupos armados regionais, como Hamas e Hezbollah.

Com a votação para a renovação do Knesset se aproximando, os eleitores avaliam se o país atingiu seus objetivos e se a gestão de Netanyahu obteve sucesso na operação militar, ponderando também os impactos econômicos e sociais. Entre os reflexos estão o potencial encarecimento de mercadorias devido às interrupções nos transportes comerciais e o isolamento perante a comunidade internacional.

Monique Sochaczewski, professora de Relações Internacionais do IDP e doutora em História, Política e Bens Culturais, aponta que o contra-ataque iraniano — que incluiu o fechamento da rota comercial e bombardeios a nações como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita — fez com que a agenda israelense perdesse o foco inicial de apoio popular. Para a especialista, a ameaça iraniana permanece e a estratégia de Netanyahu pode ter enfraquecido Israel perante Donald Trump e o Oriente Médio.

Por outro lado, o governo de Netanyahu argumenta que ainda restam metas a serem cumpridas no conflito e sustenta que a reeleição do primeiro-ministro é necessária para derrubar o regime iraniano, conforme aponta João Miragaya, assessor do Instituto Brasil-Israel e mestre em História pela Universidade de Tel Aviv. Em contrapartida, a oposição acusa a administração atual de envolver o país em combates sem condições de alcançar os resultados propostos, o que teria minado a credibilidade de Netanyahu junto a parte do eleitorado. Analistas indicam que o rival Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas entre 2015 e 2019, pode ter ampliado sua popularidade nesse contexto.

Samuel Feldberg, doutor em Ciências Políticas pela USP e pesquisador da Universidade de Tel Aviv, observa que há um embate narrativo sobre o desfecho da operação. Enquanto o governo atribui a si os resultados na contenção de ofensivas do Irã e do Líbano, a oposição argumenta que o mérito pertence ao escalão profissional e não à condução política da atual gestão.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/eleicoes-em-israel-como-a-guerra-inacabada-com-o-ira-impactara-a-votacao/

Compartilhar