O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enfrentará em 27 de outubro uma eleição parlamentar que definirá o futuro de sua gestão. O pleito para o Knesset será o primeiro desde 2022 e desde os ataques do Hamas ocorridos em outubro de 2023. Especialistas avaliam a disputa como um verdadeiro plebiscito sobre a aprovação ou reprovação do governo atual, trazendo temas cruciais para o debate público, como conflitos regionais, segurança, economia e leis controversas.
Impacto dos ataques de 2023 e as falhas de segurança
A ofensiva do Hamas em 2023 deixou mais de 1.200 mortos em território israelense e desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. O episódio gerou forte desgaste político e críticas devido a falhas de segurança que permitiram o ataque. Durante o período, nomes como o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e os diretores da inteligência militar, do Mossad e do Shin Bet deixaram os cargos por renúncia, afastamento ou término de mandato.
Familiares de reféns sequestrados também pressionaram o governo, apontando lentidão em acordos de libertação e exigindo uma comissão independente de inquérito sobre as responsabilidades do 7 de outubro. Até o momento, apenas um órgão governamental foi criado, o que mantém dúvidas sobre sua eficácia. Por sua vez, Netanyahu e aliados culpam os chefes de segurança por falhas na comunicação prévia ao ataque.
Polêmicas recentes também marcaram o cenário político. No início de setembro, reportagens apontaram que o presidente dos Emirados Árabes Unidos teria alertado Netanyahu sobre uma grande operação palestina, informação classificada como mentira absoluta pelo gabinete do premiê. A oposição, contudo, exigiu investigações completas. Especialistas apontam que o panorama político permanece inclinado à direita, com nomes como Gadi Eisenkot despuntando como alternativas competitivas.
Conflitos regionais: Irã, Gaza e Líbano
A segurança nacional e o balanço de três anos de confrontos em múltiplas frentes também estruturam a campanha. Enquanto os aliados de Netanyahu tentam capitalizar a narrativa de que a atuação contra o Irã, o Líbano (enfraquecendo o Hezbollah) e em Gaza alterou o equilíbrio regional, críticos apontam resultados inconclusivos e prolongamento das guerras. Especialistas destacam que a retaliação iraniana e o fechamento do Estreito de Ormuz acabaram por desviar o foco da agenda israelense, gerando percepções divididas sobre a eficácia da estratégia do governo.
Amos Harel, analista sênior de segurança do jornal Haaretz, avaliou que uma nova emergência de segurança pode ser utilizada por Netanyahu como recurso de último momento para embaralhar o cenário político e ampliar suas chances de sobrevivência eleitoral.
A influência de Donald Trump e as leis polêmicas
A relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — cujos país apoiou ativamente Israel nos conflitos contra Hamas, Hezbollah e Irã —, gera divisões no eleitorado. Enquanto analistas ponderam que um endosso de Washington pode fortalecer Netanyahu junto à direita, a oposição tem enviado mensagens ao círculo de Trump pedindo neutralidade, demonstrando cautela diante de uma possível interferência externa.
No âmbito legislativo, a aprovação de projetos controversos visando blindar o bloco governista gerou forte repercussão. Entre eles está a isenção de jovens ultraortodoxos do serviço militar, medida que gera forte sobrecarga para o setor laico da sociedade. Outras iniciativas incluíram a reformulação da radiodifusão e a expansão de programas acadêmicos com segregação por gênero, criticadas por ameaçar padrões acadêmicos e a igualdade.
Custo de vida e pressões sociais
O encarecimento do custo de vida em Israel, sobretudo na região central, desponta como mais um fator de pressão sobre o eleitorado, dificultando a inserção profissional dos jovens. Dados da OCDE apontam que o país possui um dos níveis de preços comparativos mais altos do bloco, intensificando as tensões sociais que pesam sobre o pleito.
