A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, as campanhas de Flávio Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificam os esforços para conquistar eleitores indecisos e reduzir as abstenções. Segundo a analista de Política da CNN Isabel Mega, um elemento comum passou a dominar a comunicação de ambos os lados: o conceito de mudança.
Pesquisas qualitativas realizadas por partidos e institutos apontaram que o eleitorado busca transformação, levando as duas campanhas a reajustarem os discursos. A campanha do PT adotou a linha de "mudar para o rumo certo", enquanto o PL utiliza o slogan "mudar para melhor". O PT busca contra-argumentar a narrativa de que o modelo de Lula seria antigo e Flávio representaria o novo, alertando que a mudança proposta pelo adversário envolve riscos para políticas sociais e para a economia.
Segurança pública e saúde na reta final
A pauta da segurança pública é a aposta de Flávio Bolsonaro, que promete "devolver territórios às pessoas" e intensificar o combate à criminalidade em sua propaganda no rádio e na televisão. Em contrapartida, a campanha de Lula prioriza a saúde e relembra a pandemia de Covid-19 e o saldo de mais de 700 mil mortes na gestão de Jair Bolsonaro (PL), incluindo na propaganda a mãe do ator Paulo Gustavo, vítima da doença. Para Isabel Mega, Flávio enfrenta mais dificuldade no tema da saúde, enquanto Lula encontra barreiras na segurança.
Estratégia nos estados e disputa acirrada
Nas agendas pelo país, Flávio Bolsonaro concentra esforços em locais onde venceu no primeiro turno — Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais —, além de tentar reverter votos no Ceará e em Pernambuco, onde obteve 31%. Já Lula visita estados onde ganhou, como Maranhão, Bahia e Pernambuco, mas direciona o foco para os três maiores colégios eleitorais (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), onde foi derrotado em 4 de outubro. Conforme o analista de Política da CNN Teo Cury, esses três estados concentram mais da metade dos votos do país.
No primeiro turno, Flávio registrou cerca de 56,1 milhões de votos, frente a aproximadamente 53,8 milhões de Lula, com uma diferença menor que 3 milhões de votos. O cenário de polarização faz com que a abstenção no domingo (25) e o debate previsto para a sexta-feira (23) sejam decisivos. Aliados aconselharam Flávio a adotar uma postura menos agressiva, enquanto o grupo de Lula prepara respostas mais firmes aos ataques.
